Lançamento de *Deseducando a Educação: mentes, materialidades e metáforas*

Uma das mesas a serem realizados durante o I Seminário Internacional Reconceitualizando a Educação, organizado pelo Departamento de Educação da PUC-Rio, marcará a apresentação do livro Deseducando a Educação: mentes, materialidades e metáforas. A mesa será composta pelos Profs. Ralph Bannell, Mylene Mizrahi e Giselle Ferreira (eu!), organizadores do volume, com mediação do Prof. Karl Erik Schollhammer, do Dept. de Letras da PUC-Rio.

A coletânea reúne textos em torno dos três eixos temáticos que estruturam o livro: mentes, materialidades e metáforas. A primeira parte, org. pelo Prof. Ralph, focaliza teorização recente sobre a cognição. A segunda parte, sob a responsabilidade da Profa. Mylene, traz uma gama de contribuições muito interessantes da Antropologia. Por fim, a minha parte congrega textos que exploram metáforas como eixos de discussão de questões da educação. O livro contou com a colaboração de autores nacionais e internacionais bastante respeitados em suas áreas de atuação.

Quer saber mais? Junte-se a nós no dia 15! A conversa será transmitida pelo canal do Departamento de Educação no YouTube, neste link.

O livro será disponibilizado como e-Book de acesso livre – divulgaremos os detalhes de acesso assim que possível.

Ah! Antes de clicar em “publicar”, deixo o convite também para, quem achar interessante e puder, que nos ajude a divulgar – o cartaz pode ser baixado aqui.

Seminário Internacional *Reconceitualizando a Educação* – programação!

Conforme anunciei anteriormente, o Departamento de Educação da PUC-Rio realizará em 15 e 16 de abril o I Seminário Internacional de seu projeto de internacionalização Formação Humana, Cultura e Aprendizagens, coordenado pela Profa. Rosália Duarte. O projeto, financiando pelo Programa Capes-Print, articula pesquisas de professores do PPGE/PUC-Rio desenvolvidas em interlocução com colegas de instituições estrangeiras.

Como sugere o título desta edição – Reconceitualizando a educação – o foco do Seminário é a busca por novos rumos para pensar a Educação como disciplina acadêmica e prática social. O evento contará com a participação de parceiros internacionais e nacionais em discussões sobre resultados de pesquisa e possíveis desdobramentos futuros dos diálogos que temos conduzido. Em particular, haverá o lançamento da coletânea Deseducando a Educação: mentes, materialidades e metáforas, organizada em uma parceria envolvendo os Profs. Ralph Ings Bannell, Mylene Mizrahi e Giselle Ferreira (a autora deste post).

As mesas serão transmitidas pelo canal do Dept. de Educação da PUC-Rio no YouTube.

As rodas serão conduzidas em sessões do Zoom organizadas pelos respectivos professores anfitriões das conversas. Para obter o link de acesso, entre em contato com o(s) anfitrião(ões) da(s) roda(s) de seu interesse (os detalhes para contato estão aqui).

A programação completa pode ser baixada em pdf neste link, mas copio abaixo o programa com links adicionais para informações sobre os participantes e material promocional que estamos utilizando para disseminar o evento nas redes.

Programação

Quinta-feira, 15 de abril de 2021</h4

9:30h – Cerimônia de abertura. Baixe aqui o cartaz.

10:00h – Mesa Redonda – Apresentação do livro-base do Projeto Deseducando a Educação: mentes, materialidades e metáforas. Professores Ralph Bannell, Mylene Mizrahi e Giselle Ferreira. Mediação do Prof. Karl Erik Schollhammer (Letras, PUC-Rio) Baixe aqui o cartaz.

14:00h – Diálogos Transversais – rodas de conversa dos grupos de pesquisa com parceiros internacionais e nacionais.

Recepção Cultural e públicos em ação. Cristina Carvalho (Gepemci PUC-Rio), João Teixeira Lopes (Universidade do Porto), Ana Dias Chiaruttini (Université Côte d’Azur). Baixe aqui o cartaz.

Materialidade e transformação. Mylene Mizrahi (EstetiPop PUC-Rio), Cristina Toren (University of Saint Andrews), Ana Maria Gomes (UFMG), Isabel Carvalho (UFMG), Profa. Chantal Medaets (UNICAMP). Baixe aqui o cartaz.

Metáforas. Giselle Ferreira (DEdTec PUC-Rio), Márcio Lemgruber (UFJF), Diogo de França Gurgel (UFF). Baixe aqui o cartaz.

Cinema & Educação Brasil e Portugal. Rosália Duarte (Grupem PUC-Rio), Mirna Juliana Fonseca, Raquel Pacheco (Universidade Nova de Lisboa), Maria Angélica dos Santos (Programa de Alfabetização Audiovisual). Baixe aqui o cartaz.

Educação inclusiva no Ensino Superior. Zena Eisenberg (Grudhe PUC-Rio), Sílvia Brilhante (PUC-Rio), Maria Helena Martins (Universidade do Algarve). Baixe aqui o cartaz.

16:00h – Exibição de entrevistas: Andy Clark (University of Sussex) – Ezequiel Di Paolo (Basque Foundation for Science) – Cristina Toren (University of Saint Andrews) – Christa Whitney (Yiddish Book Center).

Sexta-feira, 16/4/2021

10:00h – Mesa RedondaPaulo Freire Internacional – Maria Inês Marcondes (PUC-Rio),  Gustavo Fischman (Arizona State University) e Tristán MacCowan (Institute of Education, University College London). Baixe aqui o cartaz.

14:00h – Diálogos Transversais – rodas de conversa dos grupos de pesquisa com parceiros internacionais e nacionais

Estética e Educação. Mylene Mizrahi (PUC-Rio), Marjorie Murray (PUC-Chile), Veronica Garcia Lazo (PUC-Chile), Baixe aqui o cartaz.

A educação popular na América Latina nos anos 1960. Patrícia Coelho (PUC-Rio), Fernando Gouvêa (UFRRJ), Cíntia Oliveira (UNESA), Renato Pontes (PUC-Rio), Baixe aqui o cartaz.

16:00h – Encerramento

I Seminário Internacional *Reconceitualizando a Educação* na PUC-Rio

Em 15 e 16 de abril próximos, será realizado o I Seminário Internacional *Reconceitualizando a Educação*, organizado por participantes no projeto Formação Humana, Cultura e Aprendizagens, coordenado pela Profa. Rosália Duarte.

O projeto envolve vários outros dos meus colegas do Departamento de Educação da PUC-Rio na construção de uma rede internacional de parcerias de pesquisa, com financiamento do Programa Capes-Print. O coordenador internacional do projeto é o Prof. Gustavo Fischman, da Arizona State University.

Teremos diversas mesas e rodas de conversas sobre assuntos bastante interessantes, e a primeira delas será dedicada ao lançamento do livro Deseducando a Educação: mentes, materialidades e metáforas, que compõe a fundamentação teórica do projeto. Minha contribuição ao livro focaliza a parte relativas às metáforas.

O livro está saindo do forno, assim como a programação e o resto do material promocional do evento. Assim que estiver com tudo em mãos, postarei aqui.

As mesas serão transmitidas pelo Canal do Dept. de Educação da PUC-Rio no YouTube, e as rodas serão feitas pelo Zoom (com inscrições via formulários no Google Drive).

Em breve!

Entre a ficção e a realidade: uma experiência

No 7o Colóquio de Pesquisas em Educação e Mídias, que aconteceu on-line na semana passada, apresentei, junto com alguns dos integrantes do DEdTec, um relato sobre o trabalho que conduzimos em 2020.2: Uma experiência de formação com a ficção durante a pandemia: da distopia à esperança. Eis a proposta original:

Apesar da euforia em torno das tecnologias de internet como meios para manter as instituições educacionais em funcionamento durante a pandemia de covid-19, a realidade representada em relatos de jornais, blogs e artigos científicos é bastante diversa. Mundo afora, vidas estão sendo profundamente afetadas (ou, infelizmente, perdidas), e, no âmbito da educação em um país com desigualdades tão marcantes quanto o nosso, professores e estudantes têm enfrentado desafios, em alguns casos, intransponíveis. Mais do que nunca, talvez, a profissão docente se revela como uma das profissões do cuidado: somos formadores de seres humanos. Em particular, na crise que estamos vivendo, nossas propostas pedagógicas precisam superar uma visão “conteudista” do currículo e considerar as possibilidades e limites do aqui e agora, integrando-as, na medida do possível, em nossas ações junto aos nossos alunos.

Nesse sentido, esta proposta baseia-se em uma reflexão sobre uma experiência conduzida, no segundo semestre de 2020, com um grupo de estudantes em processo de formação para a pesquisa em Educação. Na esteira de experimentações anteriores (por ex., Ferreira et al. 2020; Rosado et al, 2015), e inspirada em literatura que explora o potencial da ficção como um recurso formativo (por ex., Aquino & Ribeiro, 2011; Lemos, 2016), a experiência em questão teve dois objetivos principais: (1) apoiar o desenvolvimento de criticidade acerca da relação entre a educação e a tecnologia, utilizando cenários ficcionais que exploram a relação entre humano e máquina; (2) proporcionar um espaço de discussão que possibilitasse a articulação entre o acadêmico e o não acadêmico, sobretudo o pessoal e o vivido. Nesse sentido, foram selecionadas algumas obras de ficção distópica como base do trabalho do grupo ao longo do semestre, complementadas com textos acadêmicos (incluindo Postman, 2005 [1985], Coeckelbergh, no prelo; Haraway, 2009 [1991], dentre outros).  

As seguintes obras foram examinadas em encontros síncronos semanais: (a) Autofab, episódio do seriado Electric Dreams que revisita e atualiza, para o nosso momento de expansão da Inteligência Artificial e criação de robôs antropomórficos, o conto de Phillip K. Dick escrito na década de 1950, quando os temores da humanidade tinham por objeto a tecnologia nuclear; (b) Frankenstein, de Mary Shelley, um clássico da literatura gótica vitoriana considerado o precursor da ficção científica; (c) Metropolis, de Fritz Lang, um clássico do expressionismo alemão que, além de constituir um marco na história do cinema, permanece intensamente relevante em sua exploração da relação entre tecnologia e sociedade; e (d) Admirável Mundo Novo, de Aldous Huxley, uma obra publicada em 1932 de notável presciência, que mantém viva sua atualidade, em particular, no que diz respeito às decorrências do avanço tecnológico para a reprodução biológica e sociocultural, conforme destacou Postman (2005 [1985]).

A apresentação aqui proposta irá abordar: (a) os fundamentos teórico-conceituais e a metodologia planejada para a experiência; (b) leituras do grupo a partir das obras (e articulações entre elas), focalizando em formas nas quais essas obras podem nos ajudar a compreender e questionar o contexto atual mais amplo no qual a educação se insere; (c) questões imbricadas nos processos comunicacionais remotos síncronos em um contexto considerado, em si mesmo, distópico. Nele, a experiência mostrou-se não apenas um exercício intelectual, mas sim uma exploração criativa e fortemente solidária, que acolheu e promoveu a reflexão individual e a construção compartilhada de significados em/sobre um contexto desafiador e circunstâncias, com frequência, delicadas. Assim, em uma perspectiva mais ampla, a experiência constitui-se em um exemplo de como a reflexão a partir de narrativas distópicas pode se tornar um alicerce para a humanização, a resistência e, quiçá, a esperança.

Palavras-chave: educação superior na pandemia; distopia; ficção científica; formação de pesquisadores

Referências

AQUINO, J.G.; RIBEIRO, C. (Org.). A Educação por vir: experiências com o cinema. São Paulo: Cortez, 2011.

AUTOFAC (Temporada 1, ep. 8). Electric Dreams [Seriado]. Direção: Peter Horton. Podução: Channel 4 Television Corporation e Sony Pictures Television, 2017. 1 vídeo (51 min).

COECKELBERGH, M. Antropologias do monstro e tecnologia: máquinas, ciborgues e outras ferramentas tecno-antropológicas. In: BANNELL, R.I.; MIZRAHI, M.; FERREIRA, G.M.S. (Org.) Deseducando a educação: mentes, materialidades e metáforas. Rio de Janeiro: Ed. PUC-Rio, no prelo.

DICK, P.K. Autofab. In: DICK, P.K. Electric Dreams. Trad. Daniel Luhmann. São Paulo: Aleph, 2017 [1955].

FERREIRA, G.M.S. et al. Estratégias para resistir às resistências: experiências de pesquisa e docência em Educação e Tecnologia. e-Curriculum, v. 18, n. 2, p. 994-1016, 2020. Disponível em: < https://doi.org/10.23925/1809-3876.2020v18i2p994-1016 >. Acesso em: 15 jan. 2021.

HARAWAY, D. O manifesto ciborgue. In: Tadeu, T. (Org.) Antropologia do ciborgue. As vertigens do pós-humano. Trans. Tomaz Tadeu. 2a ed. Belo Horizonte: Autêntica, 2009 [1991].

HUXLEY, A. Admirável Mundo Novo. Trad. Vidal de Oliveira e Lino Vallandro. Porto Alegre: Ed. Globo, 1979 [1921].

LEMOS, D.C.A. (Org.) Distopias e Educação. Entre ficção e ciência. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2016.

METROPOLIS. Direção: Fritz Lang.  Produção: Erich Pommer. Alemanha / Finlândia: Universum Film / Yleisradio, 1927/2010. 1 DVD (153 min.).

POSTMAN, N. Amusing ourselves to death. Public discourse in the age of show business. 20th anniversary edition. Nova York; Londres: Penguin, 2005 [1985].

ROSADO, L.A.S. et al. De Metropolis a Matrix: arte e filosofia na formação de pesquisadores em educação. Leitura: Teoria e Prática, v. 33, n. 54, p. 97-110, 2015. Disponível em: < https://ltp.emnuvens.com.br/ltp/article/view/371/272 >. Acesso em 15 jan. 2021.

SHELLEY, M. Frankenstein, ou o Prometeu moderno. Trad. Bruno Gambarotto. São Paulo: Hedra, 2013 [1818].

Os slides da apresentação podem ser baixados neste link.

Infelizmente, meu parceiro nessa aventura de trabalho com filmes e livros, o Prof. Márcio Lemgruber, não conseguiu estabilizar sua conexão à Internet na hora da sessão e, assim, não conseguiu participar, mas eu e Kadja Vieira, mestranda no DEdTec, fizemos a apresentação. Kadja criou o layout para os slides, deixando apenas alguns detalhes para eu finalizar, pois já tínhamos aproveitado a primeira sessão de discussão do grupo neste semestre para organizar as ideias, até porque há muita gente ingressando no grupo agora e achei importante darmos uma ideia ao pessoal novo sobre os caminhos que trilhamos no ano passado.

As perguntas que recebemos foram bastante interessantes e permitiram que elaborássemos um pouco mais as ideias, tanto sobre a experiência em si, quanto sobre as pesquisas em andamento. Gostaria, porém, de dar destaque às respostas dadas por minhas orientandas, que mostraram como a experiência tem sido, de fato, produtiva: como orientadora (professora, de forma mais geral), não espero que meus alunos saiam pelo mundo repetindo o que digo (aqui lembro sempre do amigo Alexandre Rosado, com quem compartilho um horror a sectarismos acadêmicos), mas que se apropriem das ideias com as quais têm contato por meu intermédio e, principalmente, que as questionem sempre. As palavras das três – Kadja, Juliana e Cristal – sugeriram que estamos mesmo a caminhar dessa forma, o que me deixou bastante satisfeita.

Quero também ressaltar o papel fundamental do Prof. Márcio no processo que tem permitido que nosso espaço de discussão vá se constituindo como um espaço livre, protegido, acolhedor e fortemente dialógico: temos uma crença compartilhada de que é mais importante dizer algo sobre o que alguém disse do que simplesmente repetir o que já foi dito, sempre, obviamente, de forma consistente com o momento de formação de cada um. Por outro lado, não abandonamos o papel que nos cabe, como docentes, no sentido de dar apoio e direcionamentos possíveis a cada um que embarque na construção desse caminho que pensamos ser a criticidade.

Tem sido um privilégio estar com ele e com todos que escolhem permanecer no grupo, e é desse estar junto, mesmo que on-line, que a esperança vai se nutrindo – como disse o escritor Ítalo Calvino no fechamento de seu maravilhoso As Cidades Invisíveis,

7o Colóquio de Pesquisas em Educação e Mídias

Aconteceu, na semana passada, o 7o Colóquio de Pesquisas em Educação e Mídias / 3a Escola de Primavera em Educação e Mídias Guaracira Gouvêa. O evento foi reagendado da primavera de 2020 para o início do outono de 2021, por causa da pandemia.

Muita gente esteve envolvida na organização do CPEM, que se deu inteiramente on-line pelo canal do evento no YouTube (as sessões principais) e Zoom (as rodas de conversa). A programação completa está nesta página no site do evento.

Infelizmente, não consegui participar de todas as sessões que havia planejado, devido a conflitos em minha agenda, mas o sentimento que tive, a partir das sessões nas quais consegui participar, foi de uma certa tristeza, por um lado, e muita garra, por outro. Esse foi o primeiro CPEM conduzido sem uma de suas idealizadoras e organizadoras mais presentes, a Profa. Guaracira Gouvêa, não mais entre nós, e ela foi carinhosamente lembrada e homenageada.

E, como não poderia deixar de ser, na atual conjuntura de crise generalizada que estamos a viver, o evento constitui-se como uma forma de resistência, como tanto do que está sendo feito na Educação Superior neste momento. A sessão de fechamento foi particularmente emocionante nesse sentido: fica aqui uma lembrança, gentilmente cedida pela querida Jaciara Carvalho!

Contribuí modestamente para a organização como membro do Comitê Científico, e apresentei, com integrantes do DEdTec, um relato de nossa experiência em 2020.2, sobre o qual vou comentar na postagem seguinte: volte em breve para vê-la!