Segundo encontro do projeto *Educação, tecnologia e filosofia: diálogos interdisciplinares*

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Na sexta-feira 04/10, tivemos o segundo encontro dos grupos Filosofia da Tecnologia, coordenado pelo prof. Edgar Lyra, do Dept. de Filosofia da PUC-RioFormação Docente e Tecnologias, ForTec, coordenado pela profa. Magda Pischetola, do Dept. de Educação da PUC-Rio, e o DEdTec. O encontro é uma das atividades pertinentes ao projeto “Educação, Filosofia e Tecnologia: diálogos interdisciplinares”, que é apoiado pelo Instituto de Estudos Avançados em Humanidades, IEAHu, do Centro de Teologia e Ciências Humanas, CTCH da PUC-Rio. Dessa vez, além do prof. Alexandre Rosado do INES, tivemos também a presença (por pouco tempo, infelizmente) do Prof. Ralph Ings Bannell, nosso colega no Dept. de Educação, e, como no primeiro encontro, Magda se juntou a nós por videoconferência.

Deixo aqui apenas algumas notas apressadas: há muito a pensar e explorar, mas acho útil deixar algum registro compartilhado de, pelo menos, algumas partes.

Ainda estamos em fase de tentar estabelecer aquele território compartilhado sobre o qual comentei aqui, e isso ficou bem claro durante a discussão, que, dessa vez, havia sido planejada para explorar a primeira linha temática que identificamos no primeiro encontro: projeções de futuros imaginados (especulação ou futurologia). Assim, propusemos uma pequena seleção de textos sobre AI (Inteligência Artificial) como leituras preparatórias: um trecho do capítulo 6 de Superinteligência, de Nick Bostrom, e os capítulo 4 e 5 de Futuros Imaginários, de Richard Barbrook.

Richard Barbrook é co-autor (com Andy Cameron, in memoriam) do excelente ensaio A Ideologia Californiana (último capítulo publicado neste livro – tradução para o português acompanhada do original em inglês). O autor é um cientista político baseado na Faculdade de Ciências Sociais e Humanidades da Universidade de Westminster, Inglaterra. Pesquisador e ativista de perspectiva marxista, Barbrook atua também junto ao Partido Trabalhista Britânico como militante e consultor. Seu mais recente projeto, Class Wargames (Jogos de Guerra de Classes), apresenta-se como uma “subversão lúdica contra o capitalismo da espetacularização” baseada nas ideias de Guy Debord.

Nick Bostrom é um filósofo baseado na Universidade de Oxford, onde fundou e dirige o Future of Humanity Institute (FHI). Bostrom lista como interesses “ética, filosofia da mente e anthropics” (a descobrir como traduziram isso para o português). Oxford hospeda o renomado Oxford Internet Institute, que, aliás, publicou recentemente um relatório muito interessante sobre processos maciços de desinformação (veja aqui), no qual o Brasil figura como um dos campos de pesquisa examinados. Bem, eu não conhecia nem o FHI, nem o autor proposto pelo Edgar, então fui dar uma olhada no site institucional.

Passando os olhos rapidamente pela página que lista a equipe do instituto, me veio à mente o filme Jogos do Apocalipse (tradução estranha de The Philosophers ou After the Dark nos US of A, que sempre somem com palavras difíceis dos títulos de filmes e livros, por exemplo, o primeiro da série Harry Potter…). No filme, um professor de filosofia propõe a uma turma de formandos do ensino médio uma atividade de role play em cenário apocalíptico, na qual os jovens precisam escolher um número limitado de pessoas que iriam habitar um abrigo e, assim, permitir que a raça humana não desaparecesse. As escolhas são feitas com base em informações sobre profissão/habilidades, sorteadas pelos alunos a partir de papeizinhos contidos em uma caixa preta. A cada rodada os alunos têm que argumentar de forma lógica em sua defesa e negociar sua escolha com o resto do grupo, mas, apesar disso, quase todas as tentativas terminam com o extermínio total do humano.

O que é interessante é ver como os jovens escolhem, defendem e depois interpretam os diferentes papéis: de eletricista a poeta, cantor de ópera, engenheiros de diferentes especialidades, etc. Mais interessante de tudo é como a vida (fictícia) no abrigo difere e, sobretudo, parece melhor quando os escolhidos (se não me engano, na última rodada) são os artistas (ou um grupo majoritariamente de artistas – não lembro de todos os detalhes, quero rever quando tiver tempo), preteridos em encenações anteriores que haviam privilegiado argumentos de base utilitarista (por exemplo, um técnico eletrônico seria mais importante para manter a coisa funcionando do que um cantor de ópera). Por fim, é nesse último cenário que o grupo consegue sobreviver o ano necessário para a mínima descontaminação do mundo exterior.

Pois, o Instituto do Futuro da Humanidade (e que nome…) de Oxford não parece ter nenhum artista, músico, poeta. Apenas formigas sem nenhuma cigarra?

Enfim, como sempre, I digress

Voltando ao assunto: o encontro…

Precisarei ler o livro do Bostrom inteiro para ter uma ideia melhor, pois a parte selecionada focaliza um “cenário de tomada de poder por uma AI” sem discutir porque o objetivo dessa “criatura” seria “tomar o poder”. Acho isso essencial para entender o que o autor pretende, pois a AI poderia ter qualquer outro objetivo, inclusive nada pensado por humanos – com relação a isso, Bostrom faz questão de ressaltar que, sendo “fortemente inteligente” (grifo meu), a AI não iria pensar “nenhum plano tão idiota que mesmo nós, humanos, sejamos capazes de antever como esse plano poderia falhar inevitavelmente”.

É que “tomada de poder” me parece ser algo tão humano… De fato, a ficção tem transferido esse “desejo” para a máquina repetidamente, criando múltiplos cenários de conflito entre criatura e criador, e o cenário de Bostrom me remeteu a várias obras de ficção na literatura e no cinema (do óbvio O Exterminador do Futuro, a A Matrix, os Borg em Jornada nas Estrelas, The Lawnmower Man – no Brasil, recebeu o estranho título O passageiro do futuro -, Transcendence – no Brasil, título Transcendence – a revolução -, Battlestar Galactica e, como sempre, o seminal Frankenstein). Essas obras podem ser vistas como “tendenciosas” no sentido que sempre há pequenas lacunas e espaços para resistência por parte do humano, de diferentes formas (mesmo que seja a hibridização em vez da aniquilação), e o que Bostrom parece (como disse, preciso ler o livro inteiro) querer fazer é pensar a possibilidade de situações criadas por máquinas que, criadas por outras máquinas, teriam escapado das nossas imperfeições. Dá para entender os elogios de Elon Musk a Bostrom: Musk, que enviou para Marte um carro tripulado por um manequim vestido de astronauta (veja aqui uma leitura crítica)…

Há muito a pensar aqui além da necessidade de discutir o porquê da tomada de poder. Será que a ficção, ainda que marcada pelas limitações da imaginação do humano, em seu apelo estético, nos daria bases mais interessantes para discutir questões relativas à AI? Se realmente há medo e preocupação com essa possível “tomada de poder”, até que ponto discussões especulativas e abstratas podem ajudar? Haveria um papel necessário para a mobilização de conhecimentos mais “técnicos” em discussões sobre a viabilidade dessa super AI? Além das hipérboles, há questões mais básicas de significados não compartilhados de termos fundamentais dessas discussões, começando com a própria ideia de “inteligência” (pontuação que o Ralph fez logo no início). É tão fácil ficar perdido em jogos de linguagem nesse cruzamento de discursos tão díspares…

Sugeri que pegássemos o Futuros Imaginários como contraponto ao Bostrom precisamente porque o autor joga um bom “balde de água fria” nas hipérboles associadas à AI, invariavelmente carentes de especificidades contextuais e, sobretudo, históricas. Esses exageros são um problema nas discussões sobre tecnologia na área da Educação, e, para mim é fundamental questioná-los: acho necessário historicizar.

O livro de Barbrook costura uma narrativa pessoal do autor com a história da tecnologia, e seu argumento central fica bem resumido logo no início (versão preprint, p. 6):

As in the mid-1960s, the invention of artificial intelligence and the advent of the information society are still only a couple of decades away. If the prophecy isn’t fulfilled in this generation, then its realisation must take place in the next one. In a continual loop, belief leads to disappointment and failure inspires conviction. The present is continually changing, but the imaginary future is always the same.

Em tradução livre:

Como em meados da década de 1960, a invenção da inteligência artificial e o advento de uma sociedade da informação estão poucas décadas à frente. Se a profecia não se cumpre em uma geração, então o será na próxima. Em um loop contínuo, crença leva à decepção, e fracasso inspira convicção. O presente está sempre mudando, mas o futuro imaginário é sempre o mesmo.

Como qualquer tomada de posição, o argumento de Barbrook não poderia estar inteiramente livre de escolhas (opiniões), mas, minimamente, trata-se de uma argumentação informada por especificidades históricas que permitem contextualizar os discursos sobre a AI – principalmente da indústria que nela aposta. A descrição de um loop é consistente com as evidências que ele traz de suas fontes, além de ser, é claro, consistente com a perspectiva marxista do autor. Daí, talvez, decorra também um aspecto apontado pelo pessoal do Departamento de Filosofia como um problema: há, sim, indicações no texto de uma visão instrumental da tecnologia. Apesar da perspectiva crítica, Barbrook tende a se posicionar como um otimista (veja aqui seu Manifesto Cibercomunista – em inglês).

Em meio à discussão, muitos assuntos foram mencionados, alguns comentados em mais detalhes, outros de passagem. A questão da agência me parece algo fundamental, bem como as concepções de tecnologia mobilizadas (e foram múltiplas), perspectivas sobre a presença de artefatos na educação (que não se restringe a contextos de Educação a Distância – uma visão de senso comum infelizmente também compartilhada na própria área da Educação), enfim, alguns eixos teóricos basais. Talvez precisemos pensá-los: identificá-los, não “defini-los”.

Creio que precisaremos repensar, também, o formato dos encontros, pois o grupo é bem numeroso e inclui estudantes de vários níveis, formações e expectativas. Em particular, temos alunos de graduação, que estão apenas iniciando sua participação em grupos de pesquisa. Os encontros têm um importante aspecto formativo que precisa de atenção.

Apresentam-se desafios maravilhosos. Continuaremos trabalhando neles.

Metáforas da Educação e Tecnologia: versões de artigos para baixar livremente

Acabo de subir para o meu perfil da plataforma academia.edu as versões aceitas dos artigos publicados recentemente da revista Learning, Media and Technology. As versões são muito próximas aos textos publicados, que necessitam de acesso via assinatura (o preço de artigos isolados é absurdo para nós, nem comentemos sobre isso…).

Se alguém estiver interessado em ler os trabalhos, mas tiver problemas em acessá-los no academia, o material está aqui também: Great Expectations: a critical perspective on Open Educational Resources in Brazil (parceria com Márcio Lemgruber) e Metaphors we’re colonised by? The case of data-driven educational technologies in Brazil (parceria com Alexandre Rosado, Márcio Lemgruber e Jaciara Carvalho).

Estou aguardando um reset da minha senha no sistema da revista (são tantas as senhas, me escapam da memória frequentemente), pois cada um dos autores recebe 50 e-prints para distribuir, mas preciso acessar o sistema para pegar o link pertinente. Em breve, circularei esse link aqui, e as primeiras 50 pessoas a acessarem poderão baixar o artigo na versão publicada pela revista.

Boas leituras!

Metáforas de Big Data, educação e novas formas de colonização: artigo publicado!

Acaba de ser publicado ahead of print o artigo Metaphors we’re colonised by? The case of data-driven educational technologies in Brazil, na revista Learning, Media and Technology. O artigo integrará um número temático organizado por Neil Selwyn e Thomas Hillman, que deverá sair no início de 2020 com o título “Education and Technology into the 2020s: speculative futures”.

A história desse trabalho é um pouco longa, daí a grande alegria que senti ao ver a notificação da editora em minha caixa de correio ontem pela manhã. As ideias começaram a surgir em 2015, foram amadurecendo ao longo de um tempo de discussões e estudos, e resultaram, por fim, no projeto atual formalizado em final de 2017, como resumido aqui. Este artigo, em particular, é fruto de um trabalho cuidadoso com um corpo de dados relativamente extenso e uma literatura que começou a surgir mais ou menos ao mesmo tempo em que íamos progredindo com as análises.

Enfim, aqui está uma versão em português do abstract de nossa proposta inicial:

Este artigo discute questões imbricadas na disseminação de tecnologias educacionais baseadas em dados no Brasil. No país, como em outros locais, a Tecnologia Educacional (TecEdu) continua a ser defendida com base em discursos otimistas que a constroem como uma panaceia para problemas sociais historicamente enraizados. Ainda que algumas dessas tecnologias tenham realmente contribuído para importantes programas de ampliação do acesso à educação nas duas últimas décadas, a defesa do “solucionismo tecnológico”, refletida em políticas públicas que articulam demandas cada vez mais fortes de melhoria de eficiências através da “inovação”, tem apoiado a mercantilização implacável dos sistemas educacionais do país. À medida que corporações transnacionais, discretamente posicionadas, assumem o controle de áreas-chave desses sistemas, ameaçando reestruturar todo o setor, tecnologias educacionais baseadas em dados – e outras noções da TecEdu apresentadas como “soluções” para ditas necessidades educacionais – fornecem o último exemplo em uma série de “novas” ideias ofertadas em um mercado em constante expansão. No entanto, essas ideias tendem a ser importadas e implantadas de maneiras frequentemente inconsistentes com as necessidades locais reais. Adotando como referencial teórico um recorte da literatura que explora implicações culturais e políticas da noção de “metáforas conceituais” proposta por Lakoff e Johnson – metáforas que encapsulam maneiras específicas de perceber, pensar e relacionar-se com o mundo – este artigo discute metáforas-chave em discursos acerca de tecnologias educacionais baseadas em dados no Brasil. Com base em dados empíricos coletados de fontes institucionais, midiáticas e de marketing abertas on-line, bem como literatura acadêmica sobre a política da tecnologia, o artigo analisa maneiras nas quais certas metáforas promovem perspectivas que ignoram a diferença e obscurecem questões mais amplas da educação, reproduzindo, assim, problemas previamente existentes. Considerando que dados estão sendo concebidos como o “óleo” que deverá impulsionar uma educação anacrônica para o futuro, por um lado, e reconhecendo a capacidade local reduzida para (pelo menos) adaptar sistemas importados, por outro, o artigo examina criticamente um cenário em que as metáforas da TecEdu talvez estejam a apoiar novas formas de colonização.

Estamos trabalhando em outros produtos dessa parte da pesquisa para disseminação em português, mas, por hora, disponibilizo a versão aceita para publicação, produzida após duas rodadas de revisão por pareceristas e extensas revisões.

Clique aqui para baixar um pdf do artigo em sua versão aceita para publicação.

Clique aqui para acessar a página da revista relativa ao artigo.

Encontro inaugural do projeto *Educação, tecnologia e filosofia: diálogos interdisciplinares*

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Tivemos na última quinta (29/08/2019) o primeiro encontro de grupos de pesquisa no escopo do projeto “Educação, Tecnologia e Filosofia: diálogos interdisciplinares”. O projeto envolve os grupos Filosofia da Tecnologia, coordenado pelo prof. Edgar Lyra, do Dept. de Filosofia da PUC-Rio, Formação Docente e Tecnologias, ForTec, coordenado pela profa. Magda Pischetola, do Dept. de Educação da PUC-Rio, e o DEdTec.

Apoiado pelo Instituto de Estudos Avançados em Humanidades, IEAHu, do Centro de Teologia e Ciências Humanas, CTCH, da PUC-Rio, o projeto objetiva

avançar na compreensão e reformulação dos problemas concernentes a uma educação atenta à presença maciça da tecnologia, lançando as bases de sustentação para um espaço interdisciplinar dedicado à discussão de questões pertinentes à relação entre a educação e a tecnologia.

Além dos três coordenadores de grupo, estiveram presentes orientandos de mestrado, doutorado e IC, bem como um dos membros externos do DEdTec, o Prof. Alexandre Rosado, do INES/DESU, que lá coordena o grupo de pesquisas Educação, Mídias e Comunidade Surda e o Mestrado Profissional em Educação Bilíngue, recentemente aprovado pela CAPES (e com inscrições abertas para o primeiro processo seletivo). A Profa. Magda, que está fazendo seu pós-doc no Departamento de Comunicação da Universidade de Copenhague, Dinamarca, se juntou a nós por webconferência.

Inicialmente, cada um de nós coordenadores apresentou a proposta de seu respectivo grupo e, com relação ao DEdTec, falei um pouco mais sobre o projeto corrente. Partimos, então, para uma rodada de apresentações, em particular, das pesquisas dos doutorandos, seguida de discussão de questões e ideias que foram surgindo organicamente. Por fim, compartilhamos sugestões de como poderão ser estruturados os próximos encontros.

A partir dessa conversa, a Profa. Magda sintetizou, em três linhas temáticas, os interesses compartilhados entre os três grupos:

  1. Projeções de futuros imaginados a partir das tendências tecnológicas ditas “de ponta” (por exemplo, Big Data e Inteligência Artificial), em outras palavras, a futurologia (o artigo da Wikipédia oferece uma lista de autores, mas, como sempre, o artigo da Wikipedia – inglês – traz muito mais, inclusive um questionamento sobre o status da futurologia: ciência? Pseudociência? Gênero literário?);
  2. Linguagens, discursos e metáforas: aqui incluímos a Retórica (interesse do Prof. Edgar), Teorias do Discurso (Profa. Giselle), Teoria da Argumentação de Perelman/Olbrecths-Tyteca (Prof. Márcio Lemgruber, que, infelizmente, não pôde participar dessa primeira reunião) e, em particular, o papel da metáfora nessas vertentes teóricas;
  3. Por fim, um questionamento (de cunho mais utilitário, talvez): como lidar com a precariedade e as incertezas que o avanço das tecnologias digitais está a criar? A Profa. Magda, em particular, tem trabalhado em seu grupo com a perspectiva das teorias da complexidade, em particular, a partir do trabalho de Edgar Morin, que inspirou seu livro A sala de aula como ecossistema: tecnologias, complexidade e novos olhares para a educação, lançado recentemente pela Editora PUC-Rio.

Nos próximos dias, deveremos conversar novamente para fechar os planos para a continuação das discussões, o que incluirá uma troca de sugestões de leituras entre os grupos, incluindo produções próprias. Oportunamente postarei updates sobre o desenrolar desse trabalho.

Ficou bastante claro que precisaremos prestar muita atenção aos nossos usos de linguagem. Como bem destacou o Prof. Edgar, diálogos interdisciplinares (intradisciplinares também, com frequência) podem ser difíceis e confusos – precisaremos construir cuidadosamente uma base ou território compartilhado para que sejamos produtivos.