História da EdTech: reflexões a partir de uma leitura preliminar

Imagem da capa em foto de Martin
Weller publicada em http://blog.edtechie.net/books/25-25/

Acaba de sair (hoje mais cedo!) o mais novo livro de Martin Weller, Professor Titular de Tecnologia Educacional na Open University do Reino Unido: 25 Years of EdTech, lançado pela AU Press (editora da Universidade de Athabasca, Canadá – veja aqui o catálogo de publicações na área da Educação). O livro está disponível gratuitamente em pdf – há também uma versão impressa (aqui) e outros formatos para eReader (aqui, aqui e aqui).

É claro que, em algumas poucas horas, não dá para fazer uma leitura aprofundada, mas quis dar uma rápida olhada hoje, pois estou finalizando o programa da disciplina de pós que darei neste semestre e achei que talvez fosse uma fonte interessante para utilizar com os alunos. Estou sempre à procura de publicações sobre a história da área, pois grande parte da literatura sobre Educação e Tecnologia parece carecer inteiramente de historicidade. Infelizmente, trabalhos focalizados nessa história são muito raros – de fato, Martin menciona a única lista que eu conhecia, compilada aqui por Audrey Watters, que também está para lançar um volume próprio sobre um assunto relacionado (aliás, a autora montou uma excelente linha do tempo das “máquinas de ensinar” aqui).

Enfim, o sumário (abaixo) reflete alguns aspectos importantes do livro. Em primeiro lugar, como qualquer “história”, só é possível abordar uma seleção de assuntos (nesse caso, o autor tomou um conjunto de artefatos / categorias de artefatos e rótulos / ideias da área). Além disso (e crucialmente), as escolhas feitas refletem os interesses, perspectivas e julgamentos do autor (o que me parece óbvio, mesmo que não seja consensual). Em qualquer obra dessa natureza, sempre restarão ausências importantes – de outra(s) perspectiva(s).

A minha leitura é que a história da EdTech contada por Martin está fortemente imbricada na história da Educação a Distância (EaD) e, em uma perspectiva mais ampla, na história da própria Educação no tocante à ampliação / democratização do acesso. Em outras palavras: o foco do livro é a EdTech na Educação Superior (daí ser totalmente compreensível a ausência de artefatos tais como o quadro branco interativo) e, em particular, em artefatos e ideias que tiveram (e/ou continuam a ter) “impacto”, sobretudo, em contextos de Educação a Distância (lembrando que o autor está comemorando 25 anos de vida profissional em uma instituição pioneira na área). Identifiquei várias menções, mesmo em minha leitura aligeirada, de exemplos da própria Open (não pude não sorrir lembrando do sistema FirstClass, sistema de comunicação que foi usado lá por muitos anos, antes da implantação do AVA institucional – baseado no Moodle). De qualquer forma, trata-se de uma seleção relevante no âmbito da EdTech pós-internet.

Tendo feito as ressalvas acima, acho que a seleção de assuntos é boa no sentido de ser pertinente de forma mais ampla – em parte, porque muitas instituições de ES (mundo afora) já estão envolvidas em iniciativas a distância (incluindo modelos ditos “híbridos”, que representam uma convergência presencial / a distância ). Alguns temas não foram (ou não têm sido muito) discutidos por aqui (por exemplo MOOC, Blockchain e Badges, que têm sido all the rage na Europa há um tempo – para ter uma ideia disso, é só buscar por publicações no site do Joint Research Centre da Comissão Europeia), mas o próprio autor reconhece seu posicionamento e viés. De fato, a EdTech pode bem ser vista como um eixo integrante de um projeto mais amplo cujo desenvolvimento tem sido dominado por atores baseados em países do eixo anglo-saxão, sobretudo os EUA e a Inglaterra (veremos o que o futuro nos trará da Ásia – a Inteligência Artificial está florescendo na educação chinesa, por exemplo, e certamente a tecnologia em questão não é meramente importada). A EdTech carece de diversidade de múltiplas formas (veja aqui outro texto de Weller sobre a “retórica do Vale do Silício” – em inglês -, boa leitura para acompanhar o clássico de Richard Barbrook e Andy Cameron, A Ideologia Californiana), e Weller reforça esse ponto dedicando a maior parte de seus agradecimentos a uma lista relativamente longa de mulheres envolvidas na área.

Na Introdução, o autor também ressalta a questão da falta de historicidade da área, que denomina de “amnésia histórica da EdTech”, mas chama de “pedantismo histórico” a sua própria tentativa de contribuir para resolver esse problema. Acho uma pena depositar a questão na “conta” de um suposto pedantismo acadêmico – ao longo do texto, há exemplos que mostram, de forma contundente, como a falta de atenção à história (e aqui deveríamos incluir, na verdade, a História da Educação) é uma lacuna produtivamente explorada por discursos de marketing da indústria da EdTech. Um dos exemplos são os famigerados MOOC – experimentação e questionamentos ainda da década de 1990 foram reciclados nos discursos que promovem MOOC como a grande “perturbação” (o original em inglês, disruption, já gerou um neologismo horroroso para nós, do qual pouparei o leitor) que irá “revolucionar” a educação. Eu diria o contrário de Martin: para mim, parece não haver “pedantismo histórico” suficiente no momento…

E daí decorre um outro aspecto interessante da história que o autor conta, ressaltado na introdução: o que ele chama de “a virada distópica da EdTech”, apontada como sinal de um “amadurecimento da área”. Um dos objetivos declarados do livro é destacar a necessidade de abordagens críticas à EdTech. Compartilho dos sentimentos de Weller com relação às repetidas “reinvenções da roda” na EdTech, sobretudo nos discursos que professam a “inevitabilidade” das tecnologias digitais (discursos de venda) e têm, infelizmente, sido aceitos e reproduzidos mesmo na academia (tenho aqui um texto em esboço sobre discursos da “inovação”, mas o tédio de escrever sobre isso tem me vencido há anos). São discursos minimamente ingênuos e, no outro extremo, totalmente marketeiros. Realmente, as vozes críticas na EdTech pareceram ser poucas durante muito tempo (notadamente, Neil Selwyn e, posteriormente / em outras paragens, Audrey Watters), mas a questão aqui, creio, é de definição de fronteiras. Há debates em torno do status da própria Educação como campo (no sentido de Bourdieu – veja aqui, por exemplo) – o que dizer sobre a EdTech (ou a Educação e Tecnologia)?

Muitas das noções que circulam tanto na EdTech descrita por Martin, quanto na Educação e Tecnologia (como subárea da Educação), remetem a temáticas e questionamentos que só fui encontrar tratados, com aprofundamento teórico, na Filosofia da Tecnologia e em trabalhos empíricos de áreas mais recentes (por exemplo, no escopo da sociologia digital). É uma área em construção, com muito território para ser explorado (se abordagens críticas são uma novidade para você, veja aqui algumas leituras para um excelente começo). Martin oferece críticas contextualizadas mas pontuais ao longo do texto – como contraponto, recomendo a leitura do blog de Audrey Watters, que, no final de 2019, virou as baterias com decisão contra os discursos vazios da indústria em uma lista comentada dos 100 maiores fracassos da EdTech na última década – esta aí uma leitura que qualquer interessado em EdTech deveria fazer.

Um outro aspecto interessante do livro é que se trata de mais um produto de uma forma de digital scholarship: o autor mantém um ótimo blog há muitos anos, e sua inserção na blogosfera da área permite um tipo de interação continuada com colegas. A construção e gestão de uma “identidade digital” por parte de acadêmicos (via blogs e uso de plataformas de redes sociais) foram assuntos discutido em um de seus livros anteriores, mas são mencionados de pasagem em 25 Years of EdTech.

Na conclusão, Martin se aventura a fazer algumas previsões (comedidas) a partir de algumas “lições” aprendidas em seus 25 de edtechie. Entre elas, a ideia que a tecnologia não é neutra – base para qualquer discussão sóbria e crítica sobre a tecnologia digital.

Bem, foram acima algumas observações dessa leitura aligeirada do dia, mas que será bastante interessante para levar aos mestrandos e doutorandos. Para mim, a reflexão será a seguinte: a “evolução” da EdTech – inclusive conforme sugerida na progressão de artefatos e ideias mostrados no sumário do livro – parece convergir em torno de uma crescente automação da educação. Essa lógica parece também apoiar as múltiplas metáforas que estou identificando em minhas pesquisas atuais.

No capítulo sobre e-Learning, Martin fala sobre os custos da EaD (infelizmente, no Brazil a ideia é que EaD – o que quer que isso signifique – é uma forma mais barata de oferecer educação). No modelo da Open, os custos nunca foram desprezíveis, mas os gastos mais significativos sempre estiveram na produção dos cursos (em equipes), com valores bem menores dedicados à apresentação (gestão geral e apoio tutorial) – aqui há alguns esquemas que mostram como as coisas eram feitas (mudaram um pouco desde 2014, de fato, com aumento significativos da padronização de processos em comparação ao que encontrei em 1998). Martin diz claramente: com a introdução de tecnologias da Web, a divisão dos custos mudou mas não diminuiu drasticamente (p. 46-47). Em um contexto visto a partir de planilhas de gastos nas quais o custo com pessoal (não apenas docentes) é ressaltado, a automação de processos se mostra como algo desejável. Mas essa não é uma tendência apenas de uma instituição, ou mesmo da educação…

Para fechar, um momento nostalgia: a área de trabalho na versão de FirstClass que usávamos no primeiro ano do curso T717 You, your computer and the net, que Martin menciona no livro. Eu adorava a interface, gráfica e com múltiplas janelas (foi mudando ao longo do tempo, com a adição de funcionalidades extra, como “puxadinhos”, que terminaram gerando um aplicativo pesado e não tão bacana de usar). As coisas que guardamos em nossos HD…

Futuros especulativos para a pesquisa crítica em EdTech

Imagem adaptada de “DSC_4394” by kont1n (CC BY 2.0)

Está disponível – agora completo! – Education and technology into the 2020s: speculative futures, o primeiro número do volume 45 da revista Learning, Media and Technology, que reúne trabalhos de alguns dos grupos e pesquisadores envolvidos na rede (em construção) de pesquisas críticas em EdTech (Critical EdTech) idealizada por Neil Selwyn (Universidade de Monash, Austrália), pesquisador internacionalmente respeitado na área, e Thomas Hillman (Universidade de Gotemburgo, Suécia).

O DEdTec, que integra essa rede, contribuiu não apenas com um artigo, mas também com a escrita do editorial, assinado pelos líderes dos grupos participantes e intitulado What’s next for Ed-Tech? Critical hopes and concerns for the 2020s.

Eis o sumário completo:

(Editorial) What’s next for Ed-Tech? Critical hopes and concerns for the 2020s, de Neil Selwyn (Austrália), Thomas Hillman (Suécia), Rebecca Eynon (Inglaterra), Giselle Ferreira (Brasil), Jeremy Knox (Escócia), Felicitas Macgilchrist (Alemanha) & Juana M. Sancho-Gil (Espanha)

Brave new platforms: a possible platform future for highly decentralised schooling, de Thomas Hillman, Annika Bergviken Rensfeldt & Jonas Ivarsson (Suécia)

Can we avoid digital structural violence in future learning systems?, de Niall Winters, Rebecca Eynon, Anne Geniets, James Robson & Ken Kahn (Inglaterra)

Machine behaviourism: future visions of ‘learnification’ and ‘datafication’ across humans and digital technologies, de Jeremy Knox, Ben Williamson & Sian Bayne (Escócia)

Metaphors we’re colonised by? The case of data-driven educational technologies in Brazil, de integrantes do DEdTec (Brasil)

Moving beyond the predictable failure of Ed-Tech initiatives, de Juana M. Sancho-Gil, Pablo Rivera-Vargas & Raquel Miño-Puigcercós (Espanha e Chile)

Students and society in the 2020s. Three future ‘histories’ of education and technology, de Felicitas Macgilchrist, Heidrun Allert & Anne Bruch (Alemanha)

What might the school of 2030 be like? An exercise in social science fiction, de Neil Selwyn, Luci Pangrazio, Selena Nemorin & Carlo Perrotta (Austrália)

Outras ações estão previstas para a consolidação dessa rede – oportunamente postarei atualizações. Por hora, ficam as indicações de materiais para leitura (alguns artigos estão disponíveis open access): bons estudos!

Recursos para discussões críticas na área da Educação e Tecnologia

Tirei meia dúzia de volumes das minhas estantes para doar, e encontrei outra meia dúzia (eufemismo…) que nem lembrava que tinha (caso de uma anti-biblioteca em expansão). Rearrumei tudo, e agora ficou fácil de achar o que não lembrava que tinha, mas ainda confuso encontrar o que de fato estou procurando. Alegrias acadêmicas…

Em meio às preparações para o semestre, andei revirando anotações, arquivos e impressos variados. Na verdade, aproveitei parte das férias para organizar meus livros, artigos impressos e, principalmente, arquivos (tentando evitar ter que pagar à Google por mais espaço de armazenamento…) – não consegui terminar esse trabalho com os arquivos, mas sigo com esperança que, um dia, conseguirei ter tudo catalogado e fácil de encontrar (talvez no lindo mundo dos slow professors defendido aqui)…

Acabei minerando materiais do blog Diálogos sobre TIC e Educação, que mantive com colegas durante meus anos como líder do grupo TICPE no PPGE/UNESA. Em breve, esse blog deverá ser transformado, talvez em legado, daí achei interessante tirar de lá uma lista de recursos produzidos ao longo dos anos mas que ainda são bastante atuais.

Dentre as traduções (varias incluídas no volume bilíngue Educação e Tecnologia: abordagens críticas), destaco as seguintes:

Na categoria “Perspectivas críticas”, há várias postagens pertinentes, incluindo vídeos feitos pelos autores que colaboraram na divulgação inicial do volume Educação e Tecnologia: perspectivas críticas (esses, especificamente, estão no Canal TICPE no YouTube).

Na categoria “Disciplinas“, há diversas listas de leituras; a maioria já está desatualizada, infelizmente, mas as seleções podem ser úteis para quem está começando a levantar literatura para compor seu projeto ou montar sua(s) disciplina(s). Há, também, slides de algumas apresentações (minhas e de colegas), que contém listas de referências interessantes (aqui e aqui, por exemplo). Depositei alguns em meu perfil no site Slideshare.

Enfim, listei alguns dos recursos que acessei enquanto pensava as disciplinas do semestre – talvez seja útil a alguém.

Começando o semestre acadêmico com uma discussão de base: o que é tecnologia?

Ausências e presenças…
No processo de organizar meu escritório em casa, comprei alguns revisteiros – o catálogo online mostrava várias cores, mas, na loja onde fui (sempre pela pressa), só rosa e azul. Apesar da dicotomia, o espaço ficou visualmente divertido, e o resultado esperado foi alcançado – artigos e impressos em ordem (quase – falta ainda colocar as essenciais etiquetas…).

Volto a escrever aqui após um tempo de silêncio, leituras e reflexão (professores pesquisadores nunca abandonam suas atividades inteiramente…), mas já a todo vapor nas preparações para o semestre.

Em meio a essas preparações, estou montando, com a Profa. Magda Pischetola, uma disciplina para o mestrado e doutorado intitulada Cultura Digital, Mídia e Educação. Com a Magda ocupadíssima com seus preparativos de retorno ao país, após um semestre de pós-doutorado na Universidade de Copenhague, temos trocado ideias por mensagens de texto e e-mail para fechar os detalhes da proposta inicial do programa da disciplina, que estruturamos em duas unidades: a primeira, sobre fundamentos, e a segunda, sobre debates correntes devidamente contextualizados em termos teóricos. Na discussão sobre fundamentos, especificamente, temos uma seleção de palavras-chave da área da Educação e Tecnologia, que incluem, obviamente, “tecnologia”. 

A ementa original da disciplina é bem clara no tocante à questão da contextualização, ou seja, do posicionamento histórico das ideias e conceitos centrais. Contextualização (incluindo histórica) tem sido um bordão meu há um tempo, pois muito do que se fala sobre tecnologia educacional tende a ignorar completamente as origens dos artefatos, nunca desvinculados de seus respectivos contextos de invenção, apesar de todas as “subversões” de uso possíveis.

Então, para apoiar a discussão sobre a questão do título desta postagem – o que é tecnologia? – estou pensando em utilizar excertos do livro Filosofia da Tecnologia, de Val Dusek (está parecendo difícil de encontrar no momento, mas temos na biblioteca da instituição). Para mim, temos aqui um volume introdutório de escopo enciclopédico sem o espaço necessário para sê-lo. Com isso, muitos assuntos bastante complexos são tratados de passagem no texto principal e em caixas separadas. Contrastando as escolhas de fontes com outros volumes da mesma natureza (um trabalho meu de longo prazo tem sido mapear trabalhos teóricos sobre tecnologia), há tanto presenças comuns quanto ausências – mas, aqui, obviamente, a palavra-chave é “escolhas” (e, para mim, pessoalmente, “ampliação de repertório”!).

Gosto bastante da estruturação do livro – em particular, o destaque dado ao determinismo tecnológico e a noções associadas torna o material relevante a um estudo introdutório que tem o propósito de fornecer aos alunos algumas ideias fundamentais que podem utilizar para questionar a presença / relação da tecnologia na / com a educação.  Veja abaixo um sumário gráfico do livro (clique na imagem para visualizar uma versão legível em pdf).

Pensando sobre o que levar aos alunos, resgatei alguns mapas conceituais que havia feito quando li o livro pela primeira vez. Já escrevi em outra postagem que utilizo o processo de compor esse tipo de mapa para me ajudar a visualizar o escopo e estrutura de um texto. Continuo achando que o processo é mais relevante do que os objetos que dele resultam, mas, com frequência, utilizo também os objetos como apoio para coordenar discussões em sala. 

Por hora, estou pensando em usar, ao menos, trechos dos capítulos 2, 6 e 7 – clique nas imagens abaixo para ver versões ampliadas dos mapas (podem ser baixados em pdf). Com fundo colorido, adicionei alguns questionamentos meus – com fundo turquesa, em particular, questões gerais norteadoras, que tem o propósito de abrir espaço para articulações com discussões da área da Educação. 

Mapa do Capítulo 2 – “O que é tecnologia? Definindo ou caracterizando a tecnologia” (clique na imagem para visualizar uma versão legível em pdf):

Mapa do Capítulo 6 – “O determinismo tecnológico” (clique na imagem para visualizar uma versão legível em pdf):

Mapa do Capítulo 7 – “A tecnologia autônoma” (clique na imagem para visualizar uma versão legível em pdf):

Trata-se, aqui, no meu entender, de discussões fundamentais que precisamos conduzir para que possamos contextualizar (e abordar criticamente) temáticas atuais da Educação e Tecnologia. Em particular, o uso de categorias pré-definidas (sem recurso a qualquer tipo de empiria) é algo que sempre me incomoda muito – ideias como “cibercultura”, “ciberespaço” (lindamente discutida por Edgar Gómez Cruz em seu excelente livro Las metáforas de internetcujo primeiro capítulo traça uma espécie de genealogia do termo tendo como viés a ideia de que se trata de uma “alucinação consensual acadêmica”) e, até mesmo, a “cultura digital” que temos no título da disciplina.

Estou aguardando a chegada de outro volume que parece ter, a princípio, a mesma proposta do livro de Dusek: Introduction to the Philosophy of Technology, de Mark Coeckelbergh. Não parece haver tradução para o português (bem, o livro foi publicado no final de 2019, ainda é cedo), o que dificulta a utilização com alunos, mas, para mim, será interessante ver as escolhas – presenças e ausências – feitas pelo autor. 

Verei ainda com a Magda sobre compartilharmos aqui o programa e mais recursos que ela está preparando – por hora, publicarei, em breve, mais uma postagem com recursos que podem ser baixados livremente (lembrando que este blog compartilha materiais sob um licença Creative Commons que determinar como única restrição que qualquer reutilização de materias tirados daqui indique a fonte original!).

Mais um encontro (o último do ano) do projeto *Educação, tecnologia e filosofia: diálogos interdisciplinares*

De um comercial disponível em https://www.youtube.com/watch?v=zwW1lndIyD0 – material levado pela Cristina Silveira, doutoranda do ForTec, para discussão em uma disciplina que ministrei nesse semestre que se encerra.

Tivemos na sexta passada (29/11) o último encontro – deste ano! – dos grupos envolvidos no projeto “Educação, Filosofia e Tecnologia: diálogos interdisciplinares”, que é apoiado pelo Instituto de Estudos Avançados em Humanidades, IEAHu, do Centro de Teologia e Ciências Humanas, CTCH da PUC-Rio.  Para quem está aportando aqui pela primeira vez: o projeto envolve os grupos Filosofia da Tecnologia, coordenado pelo prof. Edgar Lyra, do Dept. de Filosofia da PUC-RioFormação Docente e Tecnologias, ForTec, coordenado pela profa. Magda Pischetola, do Dept. de Educação da PUC-Rio, e o meu grupo, DEdTec. Contamos, também, com as contribuições da Lyana Miranda, pós-doutoranda e a mais nova integrante do ForTec.

Com esta postagem, fecha-se a primeira parte da (breve) memória que venho criando aqui desses nossos encontros; como esta, as outras postagens pertinentes foram registradas e catalogadas na categoria Projeto Diálogos Interdisciplinares.

A leitura preparatória para essa sessão foi o texto “A Revolução dos Bichos e o convite para estranhar algumas ‘certezas’ na modernidade educacional”, de André Bocchetti e José Cláudio Sooma Silva, o primeiro capítulo da coletânea Distopias e Educação. Entre ficção e ciência, organizada por Daniel Cavalcanti de A. Lemos (Editora UFJF, 2016). Esperamos, assim, fechar as discussões no escopo da primeira linha temática que identificamos inicialmente.

Dessa vez, a apresentação inicial ficou a cargo do Prof. Edgar, que começou destacando a estrutura do texto: uma apresentação que dá pistas sobre a perspectiva teórica dos autores (foucaultiana), seguida de apresentação da “saga dos bichos” em uma perspectiva diferente da leitura usual do livro (como uma crítica à revolução russa e seus desdobramentos) e, a partir dessa base, uma discussão do documento Declaração mundial sobre educação para todos, da UNESCO (1990/1998). Para a leitura tanto do livro, quanto do documento da UNESCO, os autores utilizam as ideias de forma-mandamento (no livro, concretizada nos sete mandamentos que encapsulam os princípios da revolução dos animais) e forma-salvação (que opera com base na construção discursiva de um “inimigo” – aqui, sintetizam o processo da seguinte forma: “Um binário, um acontecimento e um Outro” – p. 43). Como sugeriu Edgar, de modo sucinto, o texto pode ser lido como uma crítica ao “proselitismo do novo”.

Acho difícil alguém discordar da ideia de que estamos cercados, inundados, afogados nesse proselitismo – a imagem no início da postagem é apenas um de muitos outros exemplos que poderíamos escolher como ilustração dessa situação (nestes slides, há outros focalizados na educação). Novo, novos, novidades em sucessão infinda. Creio que essa idolatria do novo está implicada no sentimento de aceleração da existência do qual se tem falado – e isso me incomoda (e não é mais aquela “inquietação” acadêmica, mas um incômodo generalizado, mesmo, quase físico).

De fato, desde a minha primeira leitura desse texto, fiquei a refletir sobre anotações que havia feito em algum papelzinho já perdido, algumas questões relativas a esse fascínio pelo novo. Com uma enorme interrogação em vermelho, como lembro bem, havia algo assim: será que essa loucura teria a ver, de algum modo, com a preocupação do ser humano com a nossa finitude? Nas mídias e na cultura pop recente, temos testemunhado uma proliferação de soluções para o problema de como dar continuidade às nossas curtas existências (bem, dos que poderiam pagar por isso?): de vampiros (desde a década de 1990, alçados a uma condição de decadência glamorosa – ou a um tipo de glamour decadente – em múltiplas produções literárias e audiovisuais), com seus corpos super- ou preter- naturais, a formas de transcendência possibilitadas pela tecnologia (aqui, Westworld e a assustadora série britânica Years and Years me vêm à mente como o que talvez haja de mais recente).

Obviamente, há, também, leituras políticas a serem feitas aqui, mas evitemos mais disgressões, voltando a questões da educação…

Os discursos que promovem a EdTech operam, mais ou menos explicitamente, a partir de diferentes formas de culpabilização do professor – aquele que é refratário ou resistente à “inovação” – e das próprias instituições educacionais (particulamente as públicas) – aquelas que estão “quebradas”, “desatualizadas”, “fossilizadas” em modelos que não seriam apropriados para as demandas assumidas da contemporaneidade. Nesse cenário, a “inovação”, preferencialmente com base na utilização de artefatos digitais, seria a “salvação”. Temos visto isso claramente em nossas análises de dados empíricos – parecem ser amplamente válidos os achados que compartilhamos neste artigo, ainda que nosso foco tenha sido, especificamente, Big Data.

Em especial, identificamos, como uma das metáforas conceituais centrais às construções discursivas que analisamos, a metáfora orientacional NEW IS UP. Metáforas orientacionais conferem direcionalidade a uma ideia ou conceito; têm uma base corporal e cultural e, com frequência, veiculam juízos de valor polarizados, que é precisamente o caso aqui. O “proselitismo do novo” tende a tomar como base a demonização do que não é novo – o que já existe, o que seria “velho” e precisaria ser substituído. É uma forma de dicotomização com decorrências perversas (para bem além da Educação, que obviamente está imbricada em um contexto mais amplo). Parafraseando aqui o título de um ótimo livro de Neil Selwyn, é preciso desconfiar dessa conversa salvacionista da tecnologia como panaceia para uma educação “quebrada” – que reduz os professores (e alunos, de formas distintas) a peças de um arranjo mecanizado -, lembrando sempre que ela é muito produtiva em termos econômicos e políticos.

Como foi o caso nos encontros anteriores, a conversa foi longe. Há muita pressão para que se fomente “inovação pedagógica” em instituições, e ditos novos “modelos de ensino” são “implementados” (top down) e vendidos a partir de um núcleo discursivo comum que integra expressões tais como “digital”, “empregabilidade” e, na formação profissional (não apenas de professores), “integração teoria-prática” (veja aqui um exemplo). Há críticas, é claro, mas não vejo muitos questionamentos em torno das premissas que, de fato, têm sustentado esses discursos. As descrições de uma “educação quebrada” e de seus professores “anacrônicos” são falaciosas, mas só se revelam claramente como os espantalhos grosseiros que são com recurso à empiria: a ida ao mundo para ver o que de fato acontece. Nesse sentido, sugeri no encontro a possibilidade de encontrarmos práticas muito interessantes (com ou sem artefatos digitais) e que poderiam ser consideradas inovadoras de diferentes formas – práticas talvez até milenares, mas invisíveis porque são conduzidas por atores invisíveis. Seriam contra-exemplos para desafiar esses discursos falaciosos (e interesseiros). E mais do que contra-exemplos: poderiam constituir-se em práticas-modelo a serem disseminadas e adaptadas, mas que não precisariam, necessariamente, ser substituídas por “novidades”.

Por coincidência, alguns dias antes desse encontro, havia sido finalmente publicado um artigo (fruto de uma tese de doutorado que orientei) sobre patterns pedagógicos, mas, infelizmente, não me lembrei dele quando a Profa. Magda mencionou a análise de Dan Lortie do que denominou apprenticeship of observation: a ideia de que os professores ensinam da forma como foram ensinados, e que isso é um problema fundamental na formação de professores. Alguns excertos do livro de Lortie (1975) foram umas das primeiras leituras no programa de formação de professores que comecei a cursar na Inglaterra (e não finalizei), mas não lembrava mesmo do que se tratava. Não tenho mais o material daquela época, então fiz uma busca rápida e encontrei muitas referências até bem recentes, incluindo este artigo de 2006, que me pareceu interessante (é bem curtinho, então aproveitei e dei uma lida). Na sessão, o pessoal perguntou o que seria apprenticeship, e fiquei enrolada tentando traduzir algo bem problemático e que é, de fato, um ponto crítico da discussão de Lortie, pelo que vi aqui.

Meu primeiro contato com a ideia de patterns foi também há muitos anos (veja aqui, aqui e aqui) em um contexto da EdTech mais hard: EaD, muita gente da área da Computação e do Design, muito entusiasmo por tecnologias digitais que surgiam na época (início dos anos 2000). As ideias originais de Christopher Alexander, em A Pattern Language (1977) (publicado em português em 2012) e The Timeless Way of Building (1979) já circulavam então a todo vapor na Computação, e de lá começaram a ser introduzidas em discussões na educação, mas tendo como porta de entrada essa vertente (predominantemente determinista-tecnológica) da tecnologia educacional. Na Computação, a apropriação foi reducionista, segundo o próprio Alexander, mas, na Educação, foram feitas tentativas (discutíveis, como tudo nesse assunto) de se recuperar o essencial que o autor afirmou ter sido perdido na outra área.

Mas o que teriam patterns a ver com apprenticeship of observation?

Creio que há uma questão de fundo aqui, pertinente ao fato que a educação e suas práticas não existem em um vazio, mas, sim, são encarnadas, culturais, históricas, econômicas e políticas. Creio que toda ação educativa tem propósitos que determinam sua forma, e tais propósitos baseiam-se em premissas acerca do que seria a educação, para que serviria, para quem se destinaria – ou seja, concepções de objetos, sujeitos, relações e processos muitos complexos. É preciso ter-se uma perspectiva assim, mais ampla, para que faça sentido o que escrevi acima sobre desconfiança dos discursos da inovação. Não é simplesmente questão de dicotomizar educação/treinamento, como foi discutido no encontro, mas sim de compreender que há diferentes espaços, tempos e propósitos de formação de diferentes subjetividades.

Há alguns aspectos da abordagem de patterns que teriam que ser discutidos (e já li críticas à sua base estruturalista e sua linguagem idiosincrática e quase-religiosa – não estou encontrando os artigos no momento, mas posto outra hora), incluindo a própria forma de enquadrar qualquer coisa como um problema a ser resolvido (premissa que permeia toda a discussão em torno de patterns e de outras ideias pedagógicas que têm raízes no Design, como Learning Design, Design Thinking e outros rótulos que já circulam no país). Mas o que acho interessante é que, na Educação, a atenção de Alexander à observação do que há no mundo traduziu-se em métodos: patterns não são criados do nada, mas, sim, identificados por grupos de docentes em discussão e reflexão sobre suas práticas. Dessa forma, possibilita-se a identificação de conhecimento tácito e a reflexão sobre o que se sabe sem saber que se sabe, bem como a troca de ideias e a experimentação: uma forma de aprendizagem com pares que posiciona a prática docente como algo vivo a ser coletivamente descoberto e cultivado. A partir daí, podemos pensar em alternativas e escolhas (tema levantado na discussão, proverbial can of worms que leva a questionamentos filosóficos profundos e complexos, como interviu o Prof. Edgar), sempre em contexto.

O Prof. Edgar disse algo que adorei e depois me pareceu ainda mais pertinente quando comecei a pensar em patterns: que nosso papel como professores não é privar o aluno da “experiência galáctica da descoberta”, pois essa privação constituiria uma forma de violência. Eu não poderia concordar mais, e daí fiquei me perguntando: até que ponto isso poderia ser um problema na formação de professores? E mais: fiquei questionando o que escrevi na postagem do penúltimo encontro desta série, sobre a necessidade de chaves de leitura (teoria) para o trabalho pedagógico com obras ficcionais. Será que propor tais chaves concretizaria esse tipo de violência? Sem querer reduzir a questão a um problema “meramente” metodológico, sou inclinada a achar (agora – direito reservado para mudar de ideia daqui a pouco) que, talvez, a introdução de chaves deva ser feita, sim, mas, possivelmente, de forma gradativa e apropriada ao público em questão, ao contexto, aos propósitos de integrar a experiência estética em um contexto educacional que terá demandas e possibilidades próprias. Não sei, já abri mais um caminho de disgressão…

Retomaremos nossas discussões no próximo semestre, então termino deixando uma recomendação para quem não leu (também quem leu!) A Revolução dos bichos – uma versão animada que cheguei a assistir diversas vezes na televisão, naqueles tempos quando todo mundo parecia ter mais tempo. Duvido que ainda esteja na programação de alguma emissora.

Novas publicações saindo do forno…

Estão disponíveis duas novas coletâneas organizadas por Daniel Mill, Braian Veloso, Glauber Santiago e Marilde Santos, do Grupo Horizonte da UFSCar: Escritos sobre Educação e Tecnologias: entre provocações, percepções e vivências e Escritos sobre Educação a Distância: perspectivas e dimensões teórico-práticas.

Ainda terei que esperar alguns dias para que os volumes me cheguem às mãos, mas certamente virão somar a uma coleção crescente de bons recursos produzidos com a mediação do Grupo Horizonte, cujo líder, Daniel Mill, organizou o excelente Dicionário Crítico de Educação e Tecnologias e de Educação a Distância.

Clique aqui para baixar o sumário de Escritos sobre Educação e Tecnologias: entre provocações, percepções e vivências, no qual tenho um capítulo em coautoria com os queridos Jaciara Carvalho e Márcio Lemgruber do PPGE/UNESA. Nosso capítulo é intitulado “Educação e Tecnologia: pró-vocações para o desenvolvimento de criticidade”.

Clique aqui para baixar o sumário de Escritos sobre Educação a Distância: perspectivas e dimensões teórico-práticas, que inclui um capítulo da colega de departamento Magda Pischetola, escrito com Lyana de Miranda. Lyana acaba de chegar no Dept. de Educação da PUC-Rio para fazer seu pós-doc com a Magda, e seu capítulo é intitulado “O potencial didático do audiovisual: o caso dos Mooc”.

Algumas fontes de coisas EdTech

Imagem em domínio público disponível em: https://commons.wikimedia.org/w/index.php?curid=29131104

Lamentavelmente, para muita gente, a relação entre a educação e a tecnologia se resume a alguns poucos modelos de Educação a Distância (EaD). Muitos associam o próprio acrônimo “EaD” à ideia (reducionista) de “ensino a distância”. Enfim, este post não tem como objetivo discutir educação, ensino ou o que seja a distância (e só para constar: há, sim, bons modelos de EaD), mas, sim, compartilhar algumas fontes de informações sobre tecnologias educacionais, particularmente, de informações sobre o que os empreendedores e a indústria da área estão a oferecer – ou, mais precisamente, prometer.

Por que prometer?

Porque os discursos da área, de fato, tendem a deixar em aberto questões relativas ao que realmente acontece quando artefatos específicos são inseridos em contextos educacionais, ou seja, ao que de fato “entregam”, como dizem a partir de uma tradução direta da expressão em inglês (deliver). São muitas promessas e muitas profecias – e precisamos saber sobre elas: o que seriam, o que fariam, o que teoricamente ofereceriam e modificariam.

Então, deixo aqui algumas indicações de fontes interessantes (sem nenhuma ordem ou categorização detalhada). Ressalto que há muitas listas (e listas de listas) de recursos relevantes espalhadas pela Web, mas selecionei apenas alguns links que me vêm à mente no momento. Mapear esses recursos é um trabalho sempre em andamento, então devo, aos poucos, postar outras sugestões e atualizar o blogroll.

EDUCAUSE (https://www.educause.edu/): apresenta-se como uma “comuindade de líderes e profissionais de TI que trabalham juntos para abordar desafios e alavancar oportunidades em constante evolução na educação superior”. Veja aqui alguns detalhes e outros links relativos à história dessa organização, que, atualmente, publica os Relatórios Horizon, produzidos até 2016 pelo (finado) New Media Consortium. Produzidos no escopo do Horizon Project, esses relatórios têm mapeado (e publicizado) tendências de usos de tecnologias na educação desde 2005 (agora disponíveis aqui) – veja aqui alguns comentários críticos, sobretudo, à metodologia utiizada para compô-los, escritos por Stephen Downes, e o feed de notícias da Educause no Twitter aqui.

Quanto a relatórios que fazem projeções para o futuro, o Institute of Educational Technology da Open University do Reino Unido também tem publicado, desde 2012, uma série intitulada Innovating Pedagogy, compilada em colaboração com diversas instituições (o relatório de 2019, por exemplo, disponível aqui em português, resultou de uma parceria com o SLATE: Centre for the Science of Learning and Technology da Universidade de Bergen, Noruega).

EdSurge (https://www.edsurge.com/): site de uma “empresa de notícias acadêmicas” cuja história está contada aqui e aqui. Há vários feeds de notícias no Twitter, mas os mais relevantes estão aqui para notícias gerais e aqui para Educação Superior.

EdTech Digest (https://edtechdigest.com/): além de publicar notícias, comentários sobre tendências da indústria e entrevistas, promove The EdTech Awards (nessa mesma página há uma longa lista de rótulos); o feed de notícias pertinente está aqui.

No Brasil, há o Porvir (https://porvir.org/), um site dedicado à “inovação na educação” criado a partir de uma iniciativa do Instituto Inspirare (essa informação parece ter desaparecido inteiramente do site em algum momento entre início de 2018 e início de 2019, mas está arquivada aqui no excelente Internet Archive WayBackMachine). A StartSe (https://www.startse.com/), empresa que oferece serviços de apoio a startups, mantém um site que também veicula notícias relativas à educação (eventos, cursos, empresas de serviços, etc.). As fontes abaixo também não são dedicadas à educação, mas publicam material relevante.

Techcrunch (https://techcrunch.com/): está aqui um site sobre tecnologia, em geral, mas que sempre publica notícias sobre EdTech, especificamente; o principal feed de notícias no Twitter está aqui.

Wired (https://www.wired.com/magazine/): uma das publicações on-line mais “antigas” sobre tecnologias e seu “impacto” nas diversas áreas de atividade humana, casa, em diferentes momentos, de autores centrais à construção de ideias populares entre estudiosos e defensores da dita “cibercultura” (notadamente, Chris Anderson, autor de A cauda longa e Jeff Howe, autor de Crowdsourcing). No Twitter, está aqui.

MIT Technology Review (https://www.technologyreview.com/): revista pertencente ao MIT, em publicação desde 1899; acesso via assinatura, com limite de acesso aberto a três artigos por mês. Publica matérias sobre tecnologias de ponta, suas aplicações e “impacto”, com artigos pertinentes à educação catalogados (principalmente) na categoria “Humans and Technology“.

The Register (https://www.theregister.co.uk/): publicação dedicada à disseminação de notícias sobre tecnologia, com cobertura ampla de iniciativas e novidades da EdTech; um pouco da sua história é contada aqui e aqui, e aqui está seu perfil no Twitter.

Bem, aos poucos vou organizando os links e postando outras sugestões.