Pesquisa

No momento, estou trabalhando nos seguintes projetos:

Metáforas da Educação e Tecnologia

Vivemos uma atualidade caracterizada, de forma geral, pela expansão contínua da base tecnológica digital em todos os setores de atividades humanas. Contudo, predomina uma concepção solucionista da tecnologia, que constrói artefatos como meras soluções de problemas. A presença das tecnologias em contextos educacionais, em particular, tende a ser pensada a partir de perspectivas instrumentais, que, preocupadas com o como de uma pretensa integração de artefatos digitais em ações pedagógicas, assumem tais artefatos como neutros e apolíticos. Nesse cenário, concepções e ideias pertinentes à tecnologia e à sua relação com a educação circulam como metáforas presentes, inclusive, nas formas que toma o senso-comum ao tratar de questões da educação. Metáforas, porém, não são meros ornamentos, pois estabelecem deslocamentos de significado e constituem poderosas estratégias persuasivas. Metáforas da Educação e Tecnologia, especificamente, estão associadas a artefatos predominantemente originários da Computação desenvolvida em países anglófonos. Uma vez que a apropriação, em um contexto, de metáforas originadas em outro implica a transmissão de culturas, é essencial questionar-se tais metáforas e suas implicações, bem como os processos imbricados à sua apropriação. Este projeto tem como objetivo geral analisar criticamente algumas das ideias recentes da Educação e Tecnologia a partir das metáforas conceituais a elas associadas. Em particular, o projeto está focalizado em algumas das mais fortes tendências em desenvolvimento no país: Recursos Educacionais Abertos; Educação Aberta; Objetos de Aprendizagem; conceitos fundamentados em Big Data e datificação; pensamento computacional. A pesquisa se propõe como um estudo documental combinado à análise de empiria coletada de fontes disponíveis livre e abertamente na Web, adotando uma perspectiva da Análise de Discurso Crítica focalizada na linguagem metafórica.

Veja alguns produtos desse projeto na aba Produção.

Esse projeto foi aprovado no Edital FAPERJ IC2019/1 e no Edital FAPERJ APQ1/2019.

Máquinas que pensam, máquinas que ensinam? Metáforas da automação na educação do século XXI

Cenários de uma existência humana parcial ou totalmente automatizada não são novidade: da herança da Grécia Antiga à literatura e ao cinema contemporâneos, mitos, utopias e distopias têm criado e questionado diferentes possibilidades para a espinhosa relação entre o humano e a máquina. Desde meados do século XX, porém, as fronteiras entre ficção e realidade têm sido desafiadas, em parte, com base na popularização de ideias da Ciência da Computação circuladas nas mídias por futurólogos entusiasmados pela ideia de progresso a partir de uma base tecnocientífica. Com uma mistura de antecipação e medo, aguarda-se, em particular, a “singularidade tecnológica” – a máquina cuja inteligência irá superar a humana. Nesse cenário, contudo, a expansão contínua das tecnologias digitais em todos os setores de atividades humanas apoia-se, predominantemente, em perspectivas simplistas e instrumentais, que, preocupadas com o como de uma pretensa integração de artefatos digitais em contextos previamente reservados à ação humana, assumem tais artefatos como neutros e apolíticos. Na educação, grandes esperanças já começaram se ser depositadas na automação de processos como suposto modo de viabilizar a universalização do acesso. De fato, nos discursos sobre a educação, é forte a tendência à naturalização das tecnologias e de sua presença em contextos educacionais. No entanto, essa naturalização promove perspectivas que ignoram importantes questões epistemológicas, ontológicas e, sobretudo, políticas, as quais remetem a aspectos relativos ao porquê e ao para quê dessa integração. Enquanto predomina o solucionismo tecnológico, isto é, a ideia de que artefatos seriam soluções para todos os tipos de problemas, permanecem, de fato, obscurecidas questões de grande complexidade. Nesse contexto, concepções e ideias associadas à tecnologia e à sua relação com a educação circulam como metáforas presentes, inclusive, nas formas que toma o senso-comum ao tratar de questões pertinentes. Metáforas, porém, não constituem meros recursos estilísticos ou ornamentais. Uma vez que estabelecem deslocamentos de significado, definindo relações entre domínios de pensamento distintos em sua forma de “analogias condensadas”, podem ser compreendidas como “profecias autocumpridas”. Em outras palavras, metáforas constituem poderosas estratégias persuasivas que encapsulam concepções, preferências e, sobretudo, valores, e sugerem aspectos de sua base ideológica não somente a partir daquilo que ressaltam, mas, também, a partir daquilo que obscurecem. Em particular, metáforas associadas a tecnologias educacionais tendem a ser originárias de desenvolvimentos oriundos de países anglófonos. Uma vez que a apropriação, em um contexto, de metáforas originadas em outro implica a transmissão de culturas, é essencial questioná-las, examinar os processos imbricados à sua apropriação e analisar suas implicações. Este projeto tem como objetivo geral analisar criticamente, a partir das metáforas conceituais pertinentes, tendências atuais da Educação e Tecnologia associadas à automação. Em particular, o projeto focaliza conceitos propostos a partir do uso de técnicas da área da Inteligência Artificial na criação de sistemas de apoio à aprendizagem adaptativa, aprendizagem personalizada e à customização da aprendizagem, dentre outros rótulos. A pesquisa se propõe como um estudo documental combinado à análise de empiria coletada de fontes disponíveis livre e abertamente na Web, adotando uma perspectiva da Análise de Discurso Crítica focalizada na linguagem metafórica veiculada em textos midiáticos (incluindo blogs especializados, sites de empresas e sites da grande imprensa) e acadêmicos.

Recorte da fundamentação teórica dessas propostas:

CAMERON, L.; MASLEN, R. (Org.) Metaphor Analysis. Research Practice in Applied Linguistics, Social Sciences and the Humanities. Londres: Equinox, 2010.

CHARTERIS-BLACK, J. Corpus Approaches to Critical Metaphor Analysis. Basingstoke: Palgrave, 2004.

DAVIES, B.; HARRÉ, R. Positioning: the discursive production of selves. Journal for the Theory of Social Behaviour, v. 20, n. 1, p. 43-63, 1990.

LAKOFF, G; JOHNSON, M. Metáforas da vida cotidiana. São Paulo: EDUC e Mercado das Letras, 2002 [1980].

MOROZOV, E. To save everything, click here. The folly of technological solutionism. Edição para Kindle. Nova Iorque: Public Affairs, 2013.

ONCINS-MARTÍNEZ, J. L. English idioms borrowed and reshaped: the emergence of a hybrid metaphor in Spanish. In: MUSOLFF, A.; MACARTHUR, F.; PAGANI, G. (Org.) Metaphor and Intercultural Communication, 149-166. Edição para Kindle. Londres: Bloomsbury, 2014.

PERELMAN, C.; TYTECA-OLBRECHTS, L. The New Rhetoric: a Treatise on Argumentation. Trad. John Wilkinson e Purcell Weaver. Centre for the Study of Democratic Institutions. Notre Dame, Indiana: University of Notre Dame Press, 2008 [1969].

Projeto institucional Capes-Print

Projeto 1, “Formação humana, culturas e aprendizagem”, coordenado pela Profa. Rosália Duarte:

Em um mundo crescentemente marcado pela diversidade – étnica, religiosa, de gênero, de classe – arte e cultura vêm adquirindo relevância progressiva em processos sociais contemporâneos. Nossas pesquisas acompanham esse movimento, entendendo a cultura como padrões de comportamento, artes, crenças e instituições; como mediada e constituída por linguagens, incluindo mídias e tecnologias digitais e expressa em línguas e outras formas de expressão estética. Nessa acepção, instituições e processos educativos, formais e não formais, são centrais à transmissão e constituição de culturas, individual e coletivamente e, portanto, da subjetividade humana além de estruturas socioculturais. Seguindo essa acepção o objetivo é articular nossas investigação com outros programas, junto com instituições no exterior. Projetos em andamento estão vinculados a Columbia University; University College London; Universidad de Alcalá; Universidad de Valencia; Universidade de Coimbra, Arizona State University. Outras instituições poderão constar, como University of St. Andrews e Pontifícia Universidad Católica de Chile. Os eixos principais do projeto são: linguagens; identidades; aprendizagens; cognição; criatividade; materialidades; sonoridades; estética, memória. Os objetivos centrais são: compreender como crianças, jovens e adultos se formam como sujeitos em contextos formais e informais; o papel de línguas, arte e culturas na formação identitária e na cognição humana; o papel do corpo e do ambiente no pensamento humano; o papel das tecnologias e da mídia na cognição e na aprendizagem humana; as dimensões ética e estética do pensamento e da aprendizagem humana; processos educativos como formas de inclusão e resistência. Nossa intenção é adensar a discussão em torno de arte e cultura e contribuir para desenvolvimentos no campo da educação, em uma conjuntura marcada pela aproximação de diferenças. Arte e cultura serão porta de entrada para pesquisas auxiliares na implementação de políticas públicas; para processos de subjetivação e produção de identidades individuais e coletivas; para reconceituação de noções tais como mente, corpo e aprendizagem, resultando em novas políticas do conhecimento relativas ao conhecimento transmitido, aos sujeitos de pesquisa e àqueles a que formamos, os futuros profissionais da educação.