Dados…

Neste semestre, estou dando uma disciplina sobre big data na educação para uma turma de pós. A bibliografia básica inclui os excelentes Weapons of Math Destruction, de Cathy O’Neil (2017) e Big Data in Education: the future of learning, policy and practice, de Ben Williamson. Há traduções para o espanhol de ambos, mas nada de versões em português.

Diante de todo o barulho em torno do documentário The Social Dilemma, lançado recentemente pela Netflix (veja um comentário entusiástico da revista Wired aqui, e outro mais centrado na The Verge), começo a me cansar de ouvir críticas que se reduzem a “estão roubando seus dados” ou “não há privacidade”. Nada disso é novo (lembro muito bem de uma conversa com um colega especialista em tecnologias de internet, que já no início dos anos 2000 falava sobre essas e muitas outras questões) – este artigo mostra um esboço de linha do tempo dessa febre, e aqui estão outras recomendações de documentários também interessantes.

Ao longo do semestre, estou coletando, junto com a turma, matérias midiáticas sobre o assunto. Aqui estão os links mais recentes na lista:

Estou ainda catalogando artigos (acadêmicos), muitos já lidos, alguns à espera de maior atenção (já há muita literatura e diversas revisões sistemáticas dessa literatura, e todo dia sai algo novo), outros ainda a ler (aqui confesso que há muita coisa que me parece bastante tediosa…), então escolhi trabalhar com dois livros excelentes como base. Mais adiante, quero introduzir algumas partes de The Data Revolution: big data, open data, data infrastructures and their consequences, de Rob Kitchin (2014) – vou adicionando material ao poucos, mas as matérias midiáticas são essenciais para manter o pessoal com os olhos abertos para o que se passa ao nosso redor.

Em paralelo à catalogação, venho refletindo sobre o que vejo como uma questão básica que precisa de muito mais atenção: como diz O’Neil em seu livro com todas as letras, modelos são essenciais à construção de corpos de dados (independentemente de sua magnitude), ou seja, dados são representações em categorias pré-determinadas, e daí decorrem, em parte, seus viéses. As dificuldades aqui me parecem enormes, pois, até para quem trabalha com dados de alguma forma (inclusive dados qualitativos), a ideia de que são construídos e não simplesmente encontrados “naturalmente” demanda discussão para que se possa desconstruir o que o “senso comum” tende a assumir.

Aliás, um achado da manhã, ahead of print: Managing by data: algorithmic categories and organizing, de Cristina Alaimo e Jannis Kallinikos – parece interessante para a discussão sobre categorias que tenho em mente (e nela está também Women, Fire and Dangerous Things de George Lakoff, mas esse não conseguirei introduzir na disciplina). Então, mais um acaba de aterrissar no topo da pilha de leituras ainda para hoje.

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