Atrás do coelho branco…

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“Quando eu uso uma palavra”, disse Humpty Dumpty num tom bastante desdenhoso, “ela significa exatamente o que quero que signifique: nem mais, nem menos.”
“A questão é”, disse Alice, “se pode fazer as palavras significarem tantas coisas diferentes.”
“A questão”, disse Humpty Dumpty, “é saber quem vai mandar – só isto.”
Alice através do espelho.

Algumas semanas atrás, refletindo sobre uma ou duas discussões acadêmicas nas quais tinha participado recentemente, lembrei-me do ensaio Wittgenstein, nonsense and Lewis Carroll (1965). Até então, o artigo permanecia apenas listado em um registro de materiais que eu gostaria de ler mas não havia ainda conseguido acessar (e está aqui um dos aspectos dos quais mais tenho saudade de minha vida passada no proverbial “lá fora”: um sistema de bibliotecas em rede…). Enfim, no fim de semana retrasado, conversando com um amigo, surgiu o assunto (da nostalgia por bibliotecas…): para encurtar a história, em menos de cinco minutos, o amigo me enviou o texto.

Antes de “emburacar” na leitura, resolvi fazer uma busca para saber algo mais sobre o autor. Minha primeira parada foi a Wikipedia, mas não encontrei por lá uma página dedicada a George Pitcher (filosofia). Em uma busca grosseira no Google, encontrei várias páginas relativas a um homônimo na Inglaterra e, por fim, um obituário: “George Pitcher, scholar of contemporary philosophy beloved for his ‘sheer humanity,’ dies at 92” [George Pitcher, estudioso da filosofia contemporânea amado por sua pura humanidade, falece aos 92]. Data: janeiro de 2018. Parece ter sido um sujeito interessante.

Enfim, dentre três objetivos apresentados logo de início (escrita boa demais), o texto discute “tipos de nonsense” (não consigo pensar em um bom equivalente em português para isso – não acho que seja exatamente “absurdo”, como sugere o Google Tradutor) examinados por Wittgenstein como fontes de “confusões e erros” na Filosofia, posicionando-os como artifícios propositadamente usados, para efeitos humorísticos, por Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas e Alice através do espelho. Encontrei o artigo em uma busca por escritos que explorassem, em particular, o maravilhoso diálogo da Alice com Humpty Dumpty, que frequentemente me vem à mente quando me vejo em discussões acadêmicas.

Bem, prosseguindo com as buscas, descobri uma verdadeira mina de leituras promissoras que partem de Wittgenstein para discutir especificamente a tecnologia. A perambulação on-line me levou a um número especial da revista Techné: Research in Philosophy and Technology. editada pela Society for Philosophy and Technology, intitulado Wittgenstein and Philosophy of Technology (n.3 de 2018). Fiquei um tempo passeando pelo site da associação e considerando os títulos dos artigos, lembrando de John Monk, colega fantástico que tive na Open University. Foi ele que me apresentou a Wittgenstein, e com ele tive a honra e o prazer de colaborar em vários projetos instigantes e criativos.

No final dos anos 1990, John já falava sobre jogos de tecnologia (veja aqui uma de suas aulas daquela época, registrada em 2002), e reencontro agora a ideia no material da Techné. Infelizmente ainda não consegui obter todos os artigos (só encontrei o editorial com acesso aberto), mas localizei Mark Coeckelbergh, presidente da associação e um dos organizadores do número, e há várias publicações pertinentes em seu perfil na plataforma ResearchGate. Baixei um de seus artigos para ler (Artificial Companions: empathy and vulnerability mirroring in human-robot relations), e, quase que instantaneamente, a plataforma me avisou que minha rede por lá tinha ganhado mais um nó. Achei simpático.

Mark fala sobre sua abordagem nesta palestra, dada em 2018 no Instituto de Estudos Avançados da USP (em inglês e sem legendas em português, mas a tradução automática, mesmo sofrível, deve ajudar):

Por fim, alguns artigos, vários livros interessantíssimos, uma palestra e muito mais: um mundo de ideias novas aparece quando se corre atrás do coelho branco…

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