Número especial da revista *Learning, Media and Technology*

Acaba de ser lançado o volume 44, número 3, da revista Learning, Media and Technology, LMT, organizado por Michael Gallagher e Jeremy Knox com o título Global Technologies, Local Practices.

O número contém 11 artigos escritos por autores baseados, predominantemente, no “Sul global”, conforme a proposta da chamada original lançada em 2018. Eis o sumário:

1 – Global technologies, local practices – Michael Gallagher & Jeremy Knox

2 – Global-local divides and ontological politics: feminist STS perspectives on mobile learning for community health workers in Kenya – Jade Vu Henry, Martin Oliver & Niall Winters

3 – De-coding or de-colonising the technocratic university? Rural students’ digital transitions to South African higher education – Sue Timmis & Patricia Muhuru.

4 – WhatsApp use among African international distance education (IDE) students: transferring, translating and transforming educational experiences – Clare Madge, Markus Roos Breines, Mwazvita Tapiwa Beatrice Dalu, Ashley Gunter, Jenna Mittelmeier, Paul Prinsloo & Parvati Raghuram

5 – Southern agency and distance education: an ethnography of open online learning in Dilli, Timor-Leste – Monty King, Martin Forsey & Mark Pegrum

6 – Young black women curate visual arts e-portfolios: negotiating digital disciplined identities, infrastructural inequality and public visibility – Travis Noakes

7 – Great Expectations: a critical perspective on Open Educational Resources in Brazil – Giselle Martins dos Santos Ferreira & Márcio Silveira Lemgruber

8 – An exploration of agency in the localisation of open educational resources for teacher development – Freda Wolfenden & Lina Adinolfi

9 – Refugees and online education: students perspectives on need and support in the context of (online) higher education – Belma Halkik & Patricia Arnold

10 – Digital neocolonialism and massive open online courses (MOOCs): colonial pasts and neoliberal futures – Taskeen Adams

11 – The postdigital challenge of redefining academic publishing from the margins – Petar Jandric & Sarah Hayes.

Acabo de baixar os artigos para ler nos próximos dias (infelizmente, a LMT é paga – e muito bem pagam, por sinal) – a revista está catalogada no Portal de Periódicos da CAPES, mas o acesso depende de assinatura. Tentarei postar resumos curtos aqui.

Alguns dos artigos prometem discutir assuntos que têm estado “no radar” do DEdTEc – novas formas de colonialismo no universo da Educação Aberta e, sobretudo, a partir de processos de datificação, e teorização feminista – mas todos, sem exceção, representam visões periféricas da Educação e Tecnologia.

Por fim… sim, o número inclui um artigo meu e do Márcio Lemgruber – mais um produto de um #orgulhodeparceria! Temos alguns e-prints gratuitos para distribuir – entre em contato e lhe enviaremos.

Educação e Tecnologia: utopias, distopias e metáforas

No semestre que vem, darei uma disciplina de mestrado/doutorado intitulada Educação e Tecnologia: utopias, distopias e metáforas. Compartilho, abaixo, a proposta preliminar – estou ainda matutando sobre os detalhes do planejamento aula-a-aula para montar o programa que preciso colocar no sistema da instituição.

As possibilidades são muitas (a ficção científica me acompanha desde a adolescência) – há algum tempo, venho selecionando livros, filmes e séries que leio/assisto e me remetem a questões relevantes à Educação e Tecnologia. Já tive algumas experiências de ensino colaborativo nessa direção – um dos resultados foi um artigo de 2015 – e continuo a usar material dessa natureza com meus alunos, inclusive da graduação. Mais recentemente, reli Os Despossuídos e A mão esquerda da escuridão, ambos da escritora Ursula le Guin e ambos lidos há mais décadas do que quero contar, e comecei a pensar em novas formas de organizar e explorar mais o material, mas isso é uma outra história…

Por hora, fica a proposta.

Educação e Tecnologia: utopias, distopias e metáforas

EMENTA: Leituras críticas da relação entre a educação e a tecnologia a partir de utopias,  distopias e metáforas: Tecnologia educacional e ideologia. Metáforas conceituais em perspectiva crítica. Metáforas conceituais da tecnologia educacional. A ficção científica como metáfora, representação e crítica. Questões atuais relativas às tecnologias digitais e cenários da ficção distópica – concepções de educação; ensino; aprendizagem; sujeitos e objetos da educação; privacidade e vigilância em contextos educacionais.

Bibliografia principal

AQUINO, Júlio G; RIBEIRO, Cintya R. (Org.) A Educação por vir: experiências com o cinema. São Paulo: Cortez, 2011.

FERREIRA, Giselle M. S.; LEMGRUBER, Márcio S. Tecnologias educacionais como ferramentas: considerações críticas sobre uma metáfora fundamental. EPAA, v. 26, n. 112, p.  1-15, 2018. Disponível em: https://epaa.asu.edu/ojs/article/view/3864/2124.

FERREIRA, Giselle M. S.; ROSADO, L. A.; CARVALHO, J. S. (Org.). Educação e Tecnologia: abordagens críticas. Rio de Janeiro: SESES/UNESA, 2017. Disponível em: https://ticpe.files.wordpress.com/2017/04/ebook-ticpe-2017.pdf.

HUXLEY, Aldous. Admirável Mundo Novo. Trad. Lino Vallandro e Vidal Serrano. 22ª ed. São Paulo: Globo, 2014.

LE GUIN, Ursula. Os despossuídos. Trad. Danilo Lima de Aguiar. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1978.

LEMGRUBER, Márcio S.; FERREIRA, Giselle M. S.Metáforas da Tecnologia Educacional. Educação em Foco (UFJF), v. 23, p. 15-38, 2018. Disponível em: http://dx.doi.org/10.22195/2447-5246v23n120183351.

LEMGRUBER, Márcio S.; OLIVEIRA, Renato José de. Argumentação e Educação: da ágora às nuvens. In: LEMGRUBER, M. S.; OLIVEIRA, R. J. (Org.) Teoria da Argumentação e Educação (23-55). Juiz de Fora: Editora UFJF, 2011.

LEMOS, Daniel C. de A. (Org.) Distopias e Educação. Entre ficção e ciência. Juiz de Fora: Editora UFJF, 2016.

LUPTON, Deborah. Digital Sociology. London: Routledge, 2015.

ORWELL, George. 1984. Trad. Alexandre Hubner e Heloisa Jahn. São Paulo: Companhia das Letras, 2009.

SELWYN, Neil. Distrusting Educational Technology. Ed. para Kindle. Londres: Routledge, 2014.

Audiovisual

BROOKER, Charlie. Black Mirror. Seriado Netflix, 2015-.

KUBRICK, Stanley, 2001 Uma odisseia no espaço. Metro-Goldwyn Meyer, 1968.  

SCOTT, Ridley. Blade Runner. Warner Bros. Pictures, 1982.

THE WASCHOWSKIS. A Matrix. Warner Bros. Pictures, 1999.

Bibliografia complementar

CHARTERIS-BLACK, Jonathan. Corpus Approaches to Critical Metaphor Analysis. Londres: Palgrave Macmillan, 2004.

CRUZ, Edgar G. Las metáforas de Internet. Barcelona: Editorial UOC, 2007.

DUSEK, Val. Filosofia da Tecnologia. São Paulo: Loyola, 2009.

GALLO, Sílvio; VEIGA-NETO, Alfredo. (Org.) Fundamentalismo e Educação. Belo Horizonte: Autêntica, 2009.

LAKOFF, George; JOHNSON, Mark. Metáforas da vida cotidiana. São Paulo: EDUC e Mercado das Letras, 2002[1980].

MORGAN, Richard. The Complete SF Collection. Ed. para Kindle. Londres: Gollancz, 2013.

POSTMAN, Neil. Amusing ourselves to death. Public discourse in the age of show business. Edição de comemoração do 20º aniversário da obra. Nova Iorque: Penguin, 2005[1985].

SELWYN, Neil. Education and Technology: key issues and debates. 2ª. Ed. Edição para Kindle. Londres: Bloomsbury, 2016.

SHELLEY, Mary. Frankenstein. Trad. Bruno Gambarotto. 1ª. Ed. São Paulo: Hedra, 2013.

STEFIK, M. Internet Dreams. Archetypes, myths and metaphors. Cambridge, MA: MIT Press, 2001[1996]

Audiovisual complementar

JUDGE, Mike; ALTSCHULER, John; KRINSKY, Dave. Silicon Valley. Seriado HBO, 2014-.

KALOGRADIS, Laeta. Altered Carbon. Seriado Netflix, 2018-.

NOLAN, Jonathan; JOY, Lisa. Westworld. Seriado HBO, 2016-.

SHYAMALAN, M. Night. A Vila. Touchstones Pictures, 2004.

Para começo de conversa…

Levei um tempo razoável para construir as bases deste espaço. Mas finalmente, como a coisa aqui parece estar tomando corpo, mesmo que lentamente, aproveito esses dias ainda sem aulas para colocar o site no ar .

Nesta postagem inaugural (!), achei que caberia trazer algo que já desse uma ideia dos tipos de materiais que serão publicados por aqui. Compartilho, então, os slides de um minicurso do X Seminário Redes da UERJ, que ministrei no início do mês com meus colegas Márcio, Alexandre e Jaciara.

O minicurso abordou algumas ideias básicas, porém não triviais: uma introdução, o começo de uma (longa) conversa.