Constrangimentos acadêmicos

Tentei tirar uns dias das minhas ditas “férias” para fazer um detox de telas (e vale dizer que fracassei miseravelmente, pois, ao contrário de quem acha que a pandemia acaba no momento em que tomamos a segunda dose de alguma vacina, ainda estou saindo de casa apenas para o inevitável, então as telas ainda reinam supremas), e, mesmo antes desse não-retorno, já vinha me deparando com esquisitices que estavam me fazendo pensar mais do que eu queria durante esse (pseudo) descanso.

Uma das bizarrices desses dias apareceu a partir de recomendações de leitura do Google Scholar, que sempre procuro ler, pois, com frequência, são sugestões de fato relacionadas aos meus interesses (o que, em si, já é bizarro). Não vou especificar nenhum dos trabalhos em questão, mesmo sabendo que, com isso, não deixarei nenhuma evidência ao leitor dos meus “achados”, mas prefiro pecar em termos acadêmicos a perder a delicadeza. Enfim, vou apenas descrever o que observei em dois desses textos, que coincidentemente, citavam um trecho de uma publicação minha.

O primeiro texto tirava um trecho de seu contexto original e o reposicionava de forma a sustentar um argumento absolutamente contrário ao que está sustentado no original, a partir de um uso da citação para se referir a algo que não era o assunto em discussão no original. Por sua vez, o segundo texto reproduzia por completo um parágrafo do primeiro, inclusive a citação distorcida do meu trabalho, mas sem citar o primeiro texto. Conversando com um amigo, a palavra “plágio” apareceu, mas como ele mesmo admitiu, isso é algo difícil de identificar e caracterizar até quando existe uma smoking gun, ou seja, uma cópia clara de um trecho de outro texto. Pessoalmente, acho a discussão sobre plágio reduzida à simples ideia da cópia bastante tediosa, ainda que seja bastante lucrativa (mencionei isso em outro post).

Ironicamente, já encontrei alguns exemplos desse tipo de “canibalismo acadêmico” com materiais que publiquei neste blog. Não fui buscá-los, mas chegaram a mim por coincidências variadas: links que me apareceram em feeds de alguma rede social, questionamentos de alunos, trocas de leituras com colegas, enfim, por vias pelas quais a produção acadêmica se dissemina. O mundo não é mais tão grande, de muitas formas, e essas coisas são muito constrangedoras.

Aproveito para deixar o link para um artigo meu que saiu recentemente (sobre educação na pandemia), escrito a partir de um convite muito gentil que partiu exatamente do reconhecimento das ideias circuladas neste blog, que, aliás, está compartilhado sob uma licença Creative Commons. Em outras palavras, tudo que está aqui pode ser citado e reusado – o retorno solicitado é apenas um mínimo de cortesia na forma de citação da fonte.

Mais um dia da marmota

Para quem não sabe: acabou 2020, começou 2021 (ou 2020 Episódio 2), e continuamos a toda em nossa lida na Educação.

É triste ver tanta gente pelo Wild Wild World da WWW afirmando que os professores reclamam demais, trabalham pouco e, durante a pandemia, estão em casa sem nada fazer. A partir daquela ideia de que não se trabalha a menos que se esteja em um dito local de trabalho – quase sempre uma sala mal arejada, poeirenta e alojando mais gente do que deveria -, vivemos sob pressão, invisíveis, mas com a ausência sentida, mesmo que a presença seja incompreendida. São os tempos modernos que vivemos: tempos de massificação, automação, repetição.

Enfim, sigamos – vou tentar aproveitar esta semana de “recesso” (?) inesperado para vir trazendo para cá algumas novidades que foram ficando na pasta de rascunhos ao longo do ano passado. Vou começar pelo mais recente: a participação do DEdTec em um evento na semana passada.